30.000 desaparecidos desde o início da guerra na Ucrânia

Iryna Reva
Iryna Reva Direitos de autor Evgeniy Maloletka/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
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Entre os desaparecidos não estão apenas soldados que estiveram em combate, mas também civis, incluindo crianças. A polícia ucraniana tenta localizar as pessoas, de quem se perdeu o rasto, através do ADN. Já foram processadas mais de 18.000 amostras.

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Desde o início do conflito, no dia 24 de fevereiro de 2022, mais de 30.000 pessoas estão em parte incerta. 

Como acontece em qualquer guerra, o sofrimento não se esgota no teatro de operações. Para quem está em casa, a incerteza sobre o paradeiro dos familiares tem sido um tormento sem fim.

Iryna Reva perdeu o rasto do filho há quase dois anos. No seu último telefonema, Vladyslav disse-lhe que ia para a batalha. Iryna tentou dissuadi-lo, mas ele insistiu que tinha de defender o país, embora não soubesse se voltaria, acabando por desaparecer numa batalha na região de Donetsk.

Iryna Redeva perdeu o rasto do filho há quase dois anos.
Iryna Redeva perdeu o rasto do filho há quase dois anos.AP Photo
Continuo a acreditar que há 1% de hipóteses de ele estar vivo. Enquanto eu estiver viva, vou esperar por ele, vou procurá-lo, ainda não consigo resignar-me. Para mim, ele está vivo".
Iryna Reva
Mãe de soldado desaparecido

As pessoas desaparecidas não incluem apenas soldados que estiveram no campo de batalha, mas igualmente civis.

O marido de Tetiana Khvostenko, Oleh, desapareceu no verão de 2022 na cidade ocupada de Dniprorudne, na região de Zaporíjia, quando foi detido por militares russos.

Tetiana Khvostenko mostra fotografias do marido, Oleh, que está em parte incerta depois de ter sido detido pelas tropas russas.
Tetiana Khvostenko mostra fotografias do marido, Oleh, que está em parte incerta depois de ter sido detido pelas tropas russas.AP Photo
Durante 36 anos tive um homem ao meu lado e agora ele foi-se embora, é como ficar sem um braço ou uma perna, é difícil
Tetiana Khvostenko
Mulher de civil desaparecido

Os familiares que desesperam à procura de informações sobre os seus entes queridos começam por fornecer uma amostra de ADN à Polícia Nacional Ucraniana. As amostras de ADN também podem ser enviadas a partir do estrangeiro, se os familiares da pessoa desaparecida tiverem saído da Ucrânia.

O ADN é um elemento essencial para determinar o paradeiro dos desaparecidos, especialmente se se tratar de um militar. Mesmo que outros soldados digam que assistiram à morte de um soldado em combate, isso não é suficiente para confirmar o óbito, disse Petro Yatsenko, chefe do gabinete de imprensa do serviço de coordenação para o tratamento de prisioneiros de guerra.

Mas nem sempre o ADN leva a algum lado e, por isso, surgiram vários projectos de voluntariado para ajudar as famílias que receberam pouca ou nenhuma informação das autoridades. O Comité Internacional da Cruz Vermelha já ajudou cerca de 8.000 famílias a obter informações sobre os seus entes queridos.

Até fevereiro, a Cruz Vermelha recebeu mais de 115.000 pedidos de auxílio para localização de desaparecidos Ucrânia e na Rússia.

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