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Khamenei culpa Trump como responsável direto por mais de 3.400 manifestantes mortos no Irão

Manifestação no Irão contra Khamenei, imagem de arquivo.
Manifestação no Irão contra Khamenei, imagem de arquivo. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Jesús Maturana
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No sábado, o líder supremo do Irão apontou o dedo ao Presidente dos Estados Unidos como responsável pelo número de mortos durante os protestos que abalaram o país. Com mais de 3.400 mortos, segundo os activistas, Khamenei apelou à calma, mas avisou que não poupará os criminosos.

O Ayatollah Ali Khamenei apareceu durante as celebrações do Eid al Mabath para enviar uma mensagem direta a Washington. O aiatolá apontou Donald Trump como o responsável pelo número de mortos, danos e calúnias contra o Irão, que se encontra no meio de uma crise sem precedentes desde o início das manifestações, em 28 de dezembro.

Os números são impressionantes. Os activistas iranianos estimam em mais de 3400 o número de pessoas mortas pela repressão do regime, embora as autoridades de Teerão não reconheçam estas estatísticas. O que começou por ser um protesto contra o colapso da moeda nacional tornou-se algo mais vasto: uma mobilização juvenil que questiona as bases ideológicas do sistema.

Khamenei foi claro no seu discurso. Afirmou que o seu país "não entrará em guerra", mas também não "poupará os criminosos nacionais e internacionais". O líder supremo insistiu que os distúrbios violentos são o resultado da "sedição americana" e prometeu quebrar as costas dos envolvidos no que ele vê como uma conspiração externa.

Entre o diálogo e a ameaça militar

A República Islâmica mantém uma posição dupla. Por um lado, propôs a Washington o início de um processo de diálogo para resolver as divergências. Por outro lado, afirma estar preparada para um conflito armado, se necessário. O regime iraniano argumenta que as manifestações descambaram para a violência, dando a Trump um pretexto para justificar uma intervenção militar.

O contexto regional vem alimentar a polémica. Em junho de 2025, Israel lançou uma ofensiva contra o Irão, à qual os Estados Unidos se juntaram com bombardeamentos contra três instalações nucleares. O confronto durou 12 dias e as forças iranianas responderam com centenas de mísseis e drones contra o território israelita e a base americana no Qatar.

Khamenei disse estar convencido de que os acontecimentos no Irão são o resultado do incitamento dos EUA a "devorar o Irão". Entretanto, as ruas do Irão continuam a ser palco de confrontos entre manifestantes e forças de segurança, sem que se vislumbre um fim para a crise.

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