O Presidente do Conselho Europeu, António Costa, diz que, se os EUA consideram que há um problema de segurança na Gronelândia, esse problema deve ser resolvido no âmbito da NATO.
Donald Trump continua a insistir na ideia de que os Estados Unidos devem assumir o controlo da Gronelândia, alegando questões de segurança face à China e à Rússia. Duas potências que, segundo Trump, ameaçam a maior ilha do mundo com a presença de navios e submarinos.
Trump ameaça ocupar todo o território glaciar que, sendo uma região semiautónoma da Dinamarca, pertence à NATO.
Assim sendo, as preocupações de segurança dos EUA devem ser resolvidas em sede própria, ou seja, no âmbito da NATO, defende o Presidente do Conselho Europeu, António Costa.
"Os EUA consideram que há um problema de segurança e uma ameaça à Gronelândia. A forma como esse tema deve ser tratado é no âmbito da NATO, porque é à NATO que cabe assegurar a defesa da Gronelândia", disse António Costa, na sexta-feira, desde o Rio de Janeiro, no Brasil.
Também na sexta-feira, o Presidente dos EUA lembrou-se de aplicar tarifas aos países que não concordarem com a tomada da Gronelândia. "Posso aplicar uma tarifa aos países que não concordarem com a Gronelândia, porque precisamos da Gronelândia para a segurança nacional. Então, posso fazer isso", ameaçou Donald Trump durante um evento sobre saúde.
O presidente norte-americano ainda não tinha mencionado o uso de tarifas para forçar a sua vontade. Trump referia-se a uma ameaça feita anteriormente aos seus aliados europeus de impor tarifas sobre produtos farmacêuticos.
António Costa, que está a caminho de Assunção, no Paraguai, para assinar o acordo UE-Mercosul, lembrou que não se trata de uma questão bilateral entre os EUA e a Dinamarca e sublinhou que, se existe de facto um problema, "é um problema de segurança coletiva, então devemos responder todos como aliados".
O ex-primeiro-ministro português mencionou ainda que "não há ninguém que tenha qualquer motivo para não acreditar que a NATO seja capaz de defender cada centímetro do seu território, designadamente os vários milhares de quilómetros que tem a Gronelândia", disse Costa, numa altura em que alguns países europeus estão a enviar pequenos contingentes de tropas para a Gronelândia sob o pretexto de exercícios militares.
No início do mês, o Presidente do Conselho Europeu garantiu à Dinamarca todo o apoio e a solidariedade da União Europeia e avisou os EUA que a UE não ia aceitar as violações do Direito Internacional.
Mensagem reforçada pela chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, ao afirmar que "o direito internacional é muito claro e temos de o respeitar. É claro que é a única coisa que protege os países mais pequenos, e é por isso que é do interesse de todos nós".