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França: Bruno Retailleau anuncia candidatura às presidenciais de 2027 e promete referendos

Bruno Retailleau está a entrar na corrida ao Palácio do Eliseu.
Bruno Retailleau está a entrar na corrida ao Palácio do Eliseu. Direitos de autor  AP Photo/Christophe Ena
Direitos de autor AP Photo/Christophe Ena
De Djeneba Sharon Camara & Euronews com AFP
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Antigo ministro do Interior vai fazer campanha com base nos seus temas preferidos: imigração e segurança.

Num discurso transmitido em direto no Youtube, Bruno Retailleau, presidente do partido Les Républicains (LR na sigla em francês - Os Republicanos), anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais de 2027, comprometendo-se a organizar um referendo sobre a questão da imigração, caso seja eleito.

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"Decidi candidatar-me à presidência", disse o antigo ministro do Interior de Emmanuel Macron, num discurso em que prometeu "recusar-se a deixar o nosso país no estado em que se encontra atualmente".

"Não quero ser presidente da República por obsessão pelo poder, mas por sentido de dever", acrescentou. "Para fazer face à desordem mundial, o nosso país deve começar por pôr ordem na sua própria casa", disse ainda.

O anúncio surge apenas algumas semanas antes das eleições autárquicas de março de 2026.

Desde a sua demissão do governo, em outubro de 2025, o presidente do LR tem-se mantido discreto. Bruno Retailleau está agora de volta à ribalta. Depois de uma longa entrevista ao Figaro e de um anúncio no YouTube, apareceu no noticiário em horário nobre da TF1, esta quinta-feira, para apresentar em pormenor as suas propostas.

Uma sondagem realizada no mês passado revelou que Retailleau era o candidato potencial mais popular entre os apoiantes do seu campo.

"Reduzir drasticamente a imigração"

"Serei o presidente da ordem pública, da justiça e do orgulho francês", declarou Retailleau na quinta-feira.

Retailleau prometeu utilizar os referendos para aprovar novas leis, começando com uma votação para "reduzir drasticamente a imigração".

Outros referendos incidirão sobre a reforma do sistema penal e "restabelecerão o primado da nossa lei nacional sempre que se trate de proteger os nossos interesses fundamentais", anunciou.

No entanto, a Constituição francesa proíbe a realização de referendos sobre questões relacionadas com a imigração ou a justiça.

O chefe do LR comprometeu-se a implementar uma "política familiar audaciosa" e uma reforma da educação para combater as desigualdades.

Bruno Retailleau voltou a ser senador a 13 de novembro de 2025, após a saída do governo, e inicia assim um novo capítulo na sua carreira. Aos 65 anos, destacou-se tardiamente como ministro do Interior entre 21 de setembro de 2024 e 12 de outubro de 2025. Durante este período, esteve em três governos: de Barnier, Bayrou e Lecornu.

A sua passagem pelo Ministério do Interior, entre 2024 a 2025, foi marcada por uma atitude cada vez mais dura em relação à imigração e por tensões com a Argélia - embora a política externa não seja da sua competência - devido à recusa de Argel em receber de volta os seus cidadãos que cometeram atos criminosos ou se radicalizaram na União Europeia.

Quem são os candidatos declarados?

Retailleau, 65 anos, é o último peso pesado a entrar na corrida, quando Emmanuel Macron já não se pode candidatar à reeleição.

A especulação sobre os futuros candidatos é grande.

Presidente da Câmara do Havre e candidato à sua própria sucessão nas próximas eleições autárquicas, o antigo primeiro-ministro Édouard Philippe foi o primeiro a revelar as suas ambições, anunciando a sua candidatura em setembro de 2024.

Outro antigo primeiro-ministro, Gabriel Attal, poderá também entrar na corrida.

Dominique de Villepin, Michel Barnier, Xavier Bertrand, Gérald Darmanin, David Lisnard e Laurent Wauquiez são apenas algumas das figuras de direita que poderão candidatar-se ao cargo de chefia do Estado.

Na extrema-direita, o futuro político de Marine Le Pen é incerto e está em suspenso perante os tribunais. A mulher que ficou em segundo lugar nas duas últimas eleições presidenciais (2017 e 2022) poderá não aparecer nas urnas em 2027.

Embora a acusação tenha pedido quatro anos de prisão, incluindo um ano sem liberdade condicional, e cinco anos de inelegibilidade sem execução imediata, a decisão do tribunal pode impedir a líder da extrema-direita de se candidatar às eleições. A decisão está prevista para 7 de julho.

Se o tribunal confirmar a sua inelegibilidade, Marine Le Pen afirmou que Jordan Bardella a substituirá. Uma sondagem realizada em novembro previa que, caso se candidatasse, Jordan Bardella venceria a segunda volta das eleições de 2027, independentemente do seu adversário. Bardella reagiu com ironia ao anúncio de Bruno Retailleau no X, atribuindo-lhe o aumento das autorizações de residência emitidas em 2025.

Éric Zemmour, do Reconquête (Reconquista), que obteve 7% dos votos em 2022, também deverá ser candidato.

À esquerda, onde as linhas continuam fragmentadas, há muitos candidatos potenciais. A secretária nacional dos verdes também anunciou oficialmente a sua candidatura a 22 de outubro de 2025. Marine Tondelier deverá representá-los nas primárias da esquerda, caso se realizem.

Uma quarta candidatura de Jean-Luc Mélenchon (LFI) é também muito aguardada.

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