Os Estados Unidos e o Irão não chegaram a um acordo no final das conversações no Paquistão, mas o facto de as duas partes terem entrado em conversações diretas, cara a cara, depois de uma primeira fase em que o Paquistão foi intermediário, marcou um certo avanço nas negociações.
Os Estados Unidos e o Irão não conseguiram chegar a um acordo após 21 horas de conversações em Islamabad, deixando incertezas quanto ao frágil cessar-fogo de duas semanas.
Após o fim das conversações históricas, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que liderou a delegação dos EUA, considerou as conversações "substantivas", mas disse que o Irão "optou por não aceitar os nossos termos", o que é "uma má notícia para o Irão muito mais do que para os EUA". O vice-presidente acrescentou que estava em constante comunicação com o presidente Donald Trump.
Vance disse que, no final, não viram "um compromisso afirmativo" do Irão "de que não procurará uma arma nuclear" e "esse é o objetivo central do presidente dos Estados Unidos, foi isso que tentámos alcançar através destas negociações".
"Estávamos a negociar de boa fé", disse Vance, falando num púlpito com os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner ao seu lado. "Saímos daqui com uma proposta muito simples, um método de entendimento que é a nossa última e melhor oferta. Veremos se os iranianos a aceitam".
Os seus comentários não indicaram o que irá acontecer após o cessar-fogo de 14 dias inicialmente acordado pelos EUA, Irão e Israel, mas os mediadores paquistaneses apelaram aos EUA e ao Irão para manterem o cessar-fogo.
A delegação iraniana, liderada pelo presidente do parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Abbas Araghchi, disse à televisão estatal iraniana que tinha apresentado "linhas vermelhas" nas reuniões com o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, incluindo a compensação pelos danos causados pelos ataques israelo-americanos e a libertação dos bens congelados do Irão.
A agência noticiosa estatal iraniana afirmou que as conversações tripartidas tiveram início após terem sido cumpridas as condições prévias iranianas, incluindo a redução dos ataques israelitas no sul do Líbano.
Numa das primeiras reações do Irão, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghaei, afirmou que as conversações foram interrompidas devido a uma "diferença de opinião sobre duas ou três questões importantes".
Baghaei disse à televisão estatal iraniana que o Estreito de Ormuz foi um dos temas discutidos pelos negociadores, mas não mencionou as armas nucleares.
Após o fim das conversações, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou: "É imperativo que as partes continuem a manter o seu compromisso de cessar-fogo", acrescentando que o seu país tentará facilitar um novo diálogo entre o Irão e os EUA nos próximos dias.