O terceiro maior produtor de petróleo do mundo tem capacidade para aumentar a sua produção em quase 50%, segundo estimativas do setor
A decisão dos Emirados Árabes Unidos de sair da OPEP representa uma das mudanças mais significativas na política energética mundial dos últimos anos, levantando questões sobre a oferta de petróleo, a estabilidade dos mercados e o ritmo da transição energética.
O país afirmou que as suas políticas de produção continuarão a ser orientadas pela «responsabilidade e estabilidade do mercado, tendo em conta a oferta e a procura globais».
Acrescentou que continuará a investir em petróleo, gás, energias renováveis e tecnologias de baixo carbono, no âmbito da sua estratégia energética de longo prazo.
A decisão reflete também tensões mais amplas no seio da aliança OPEP+, onde as decisões sobre a produção têm sido cada vez mais moldadas pela cooperação entre a Arábia Saudita e a Rússia. Os Emirados Árabes Unidos têm entrado em confronto com a Arábia Saudita acerca da atribuição de quotas há vários anos.
Emirados Árabes Unidos deixam a OPEP: significa mais combustíveis fósseis?
A saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP não terá necessariamente um efeito imediato na oferta ou nos preços do petróleo, atualmente dominados pelo encerramento do estreito de Ormuz, uma via marítima por onde é transportado um quinto do abastecimento mundial de petróleo.
Ao contrário da maioria dos produtores do Golfo, os Emirados Árabes Unidos podem contornar o estreito através do oleoduto Habshan-Fujairah, o que lhes garante uma rota de exportação mesmo enquanto a via marítima permanecer encerrada.
Terceiro maior produtor de petróleo do mundo, o país estava a extrair cerca de 3,4 milhões de barris de crude por dia pouco antes do início da guerra com o Irão, em 28 de fevereiro. Esse volume caiu para 1,9 milhões de barris por dia em março, num contexto de ataques com mísseis e drones por parte do Irão, também membro da OPEP.
As autoridades dos Emirados Árabes Unidos pretendem aumentar a capacidade para 5 milhões de barris por dia até 2027, segundo a Reuters. É um dos poucos membros da OPEP com capacidade para aumentar rapidamente a produção.
A queima de um barril de petróleo bruto produz cerca de 0,43 toneladas de CO2. Qualquer aumento prolongado da produção poderá, por isso, contribuir para emissões globais mais elevadas, dependendo da procura mundial e da substituição por outras fontes de energia.
A Agência Internacional da Energia já tinha alertado, no seu roteiro para emissões nulas de 2021, que não devem ser desenvolvidos novos campos de petróleo e gás se o mundo quiser atingir emissões líquidas nulas até meados do século.
Que impacto pode ter nas emissões globais?
Os combustíveis fósseis são a principal fonte de emissões de gases com efeito de estufa a nível mundial, segundo o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas.
No ano passado, o relatório (fonte em inglês) Indicators of Global Climate Change alertou que limitar o aquecimento a 1,5 °C pode tornar-se praticamente impossível nos próximos anos sem reduções rápidas das emissões.
Os Emirados Árabes Unidos têm procurado afirmar-se simultaneamente como grande produtor de petróleo e como ator em expansão na energia limpa. A sua empresa de energias renováveis apoiada pelo Estado, a Masdar, investiu em projetos em mais de 40 países, incluindo parques eólicos offshore na Europa.
O país afirmou que a decisão de sair da OPEP «reflete a visão estratégica e económica de longo prazo dos Emirados e o seu perfil energético em evolução, incluindo o aumento do investimento na produção interna de energia».
Se a saída da OPEP levar ou não a um aumento significativo da produção dependerá da procura, das condições de mercado e do ritmo da transição energética mundial – fatores que os próprios Emirados referem como orientadores das suas decisões.
Este artigo foi atualizado para incluir informações adicionais.