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Donald Trump diz não estar "satisfeito" com a nova proposta de paz do Irão

O Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com os jornalistas antes de partir no Marine One do relvado sul da Casa Branca, 1 de maio de 2026
O Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com os jornalistas antes de partir no Marine One do relvado sul da Casa Branca, 1 de maio de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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Entretanto, Washington está mergulhada num debate jurídico sobre se Trump terá ultrapassado o prazo para solicitar a aprovação do Congresso para a guerra.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na sexta-feira que "não está satisfeito" com a mais recente proposta de negociação iraniana, estando as conversações de paz entre as duas partes paralisadas, apesar de um cessar-fogo que já dura há várias semanas.

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O Irão entregou o texto da proposta ao mediador, o Paquistão, na quinta-feira à noite, informou a agência noticiosa IRNA, sem revelar detalhes sobre o seu conteúdo.

"Neste momento, não estou satisfeito com o que eles estão a oferecer", disse Trump aos jornalistas, atribuindo a culpa pelo impasse nas negociações com o Irão à "enorme discórdia" existente entre os seus líderes.

"Queremos ir lá e simplesmente destruí-los completamente e acabar com eles para sempre, ou queremos tentar chegar a um acordo? Quero dizer, essas são as opções", referiu, quando questionado sobre os próximos passos, acrescentando que "preferiria não" escolher a primeira opção "por uma questão humanitária".

A guerra, lançada pelos Estados Unidos e por Israel com uma onda de ataques surpresa a 28 de fevereiro, está suspensa desde 8 de abril, mas apenas uma ronda fracassada de negociações diretas teve lugar entre representantes iranianos e norte-americanos.

Entretanto, o Irão manteve o seu domínio sobre o Estreito de Ormuz, cortando o acesso de grandes quantidades de petróleo, gás e fertilizantes à economia mundial, enquanto os EUA impuseram um contra-bloqueio aos portos iranianos.

Um barco de patrulha dos Emirados perto de um petroleiro ancorado no Golfo de Omã, nas proximidades do Estreito de Ormuz, 1 de maio de 2026
Um barco de patrulha dos Emirados perto de um petroleiro ancorado no Golfo de Omã, nas proximidades do Estreito de Ormuz, 1 de maio de 2026 AP Photo

Apesar de não ter sido possível negociar o fim da guerra, o cessar-fogo manteve-se. Na sexta-feira, o chefe do poder judicial, Gholamhossein Mohseni Ejei, afirmou que "a República Islâmica nunca se afastou das negociações".

Mas acrescentou, num vídeo partilhado pelo site judicial Mizan Online, que "certamente não aceitamos imposições", embora Teerão não deseje um regresso à guerra.

Poucos pormenores sobre a proposta

A Casa Branca recusou-se a comentar os detalhes da nova proposta iraniana.

No entanto, o site de notícias Axios informou que o enviado dos EUA, Steve Witkoff, apresentou no início desta semana alterações a uma proposta anterior, com o objetivo de reintroduzir a questão do programa nuclear de Teerão nas negociações.

Citando uma fonte familiarizada com o assunto, o Axios afirmou que as alterações incluíam a exigência de que o Irão não tentasse retirar urânio enriquecido das instalações bombardeadas durante uma breve guerra no ano passado, nem retomasse qualquer atividade nessas instalações enquanto as negociações continuassem.

Raparigas iranianas cantam num comício organizado pelo Estado em Teerão, 29 de abril de 2026
Raparigas iranianas cantam num comício organizado pelo Estado em Teerão, 29 de abril de 2026 AP Photo

O otimismo após a notícia da proposta iraniana fez com que os preços do petróleo caíssem quase 5% no caso do West Texas Intermediate, o índice de referência dos EUA.

No entanto, os preços continuam cerca de 50% acima dos níveis pré-guerra, à medida que os operadores enfrentam o encerramento prolongado do Estreito de Ormuz.

Um responsável da UE afirmou que a chefe da política externa do bloco, Kaja Kallas, falou por telefone na sexta-feira com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, sobre os esforços diplomáticos para reabrir o estreito.

Debate sobre os poderes de guerra

Entretanto, Washington está mergulhada num debate jurídico sobre se Trump terá ultrapassado o prazo para solicitar a aprovação do Congresso para a sua guerra contra o Irão.

Funcionários da administração têm insistido que o cessar-fogo significa que o prazo de 60 dias, que exige que o presidente solicite ao Congresso a autorização para exercer os poderes de guerra, foi suspenso.

Trump reiterou essa argumentação na sexta-feira, insistindo que os Estados Unidos estavam "no meio de uma grande vitória".

Trump está sob crescente pressão interna devido à guerra, com a inflação a disparar, sem uma vitória clara à vista e com as eleições intercalares marcadas para novembro.

Capitólio dos EUA em Washington, 30 de abril de 2026
Capitólio dos EUA em Washington, 30 de abril de 2026 AP Photo

No Irão, entretanto, as consequências económicas da guerra, que se somam a anos de sanções internacionais severas, começavam a fazer-se sentir.

Os EUA impuseram novas sanções a três empresas iranianas de câmbio na sexta-feira, enquanto o Tesouro advertiu outras que o pagamento de uma "portagem" a Teerão pela passagem segura pelo Estreito de Ormuz poderia também desencadear sanções.

Na quinta-feira, as forças armadas dos EUA afirmaram que o seu bloqueio impediu o Irão de exportar 6 mil milhões de dólares (5,1 mil milhões de euros) em petróleo, ao passo que a inflação ultrapassou os 50% nas últimas semanas.

Outras fontes • AFP

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