Macron condena violência e reitera que não vai ceder

Presidente francês, Emmanuel Macron
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De  Maria Barradas com Agências
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Face aos confrontos nas ruas, o presidente francês condena a vioência e reitera que não vai ceder sobre a reforma das pensões, "necessária ao país"

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O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou veementemente a violência que eclodiu nas manifestações de quinta-feira e reiterou que não vai ceder.

Macron disse que a reforma aguarda a decisão do Conselho Constitucional e que está pronto a falar com os líderes sindicais sobre várias questões. 

"Indiquei a nossa disponibilidade para avançar em assuntos como o fim de postos de trabalho, o fim de carreiras, reconversões, desenvolvimento de carreira, condições de trabalho e renumeração em certos ramos. E por isso estou à disposição dos sindicatos conjuntos, se eles quiserem vir ao meu encontro para progredir em todas estas matérias", afirmou.

O presidente francês argumenta que o país enfrenta muitos desafios e não pode continuar num impasse e afirma trabalhar no interesse d a França e dos franceses.

As palavras do chefe do estado surgiram após os violentos confrontos de quinta-feira. 441 agentes da autoridade ficaram feridos e 457 pessoas foram detidas, por toda a França e particularmente em Paris.

Na sexta-feira, as forças de segurança bloqueiam a entrada de uma refinaria no norte de França, onde alguns empregados foram requisitados para abastecer a Ile-de-France com combustível.

Visita de Carlos III adiada

Como se espera que os protestos continuem na próxima semana, foi adiada uma visita de estado a França por parte do Rei Carlos III.

O monarca britânico devia chegar a Paris no domingo para celebrar a amizade renovada entre a França e o Reino Unido, mas os protestos puseram em causa a realização da visita.

Emmanuel Macron justificou a decisão, afirmando que "o bom senso e a amizade" exigiam o adiamento da visita do Rei Carlos, acrescentando que provavelmente este se teria tornado um alvo de protesto, criando uma "situação detestável".

Não seria razoável "realizar uma visita de Estado no meio de protestos", disse o presidente francês, numa conferência de imprensa, após a cimeira dos líderes europeus em Bruxelas.

Carlos e a Rainha Consorte Camilla planearam visitar tanto a França como a Alemanha durante a primeira viagem do rei ao estrangeiro como monarca britânico. Carlos ainda planeia ir à Alemanha.

O programa previa a visita à cidade francesa de Bordéus na terça-feira, onde os protestos têm sido violentos. A pesada porta de madeira da elegante Câmara Municipal de Bordéus foi destruída pelo fogo na noite de quinta-feira por pessoas que participavam numa manifestação não autorizada.

Embora seja uma clara deceção para o palácio real, a decisão é também um mau sinal para Macron. O presidente, de 45 anos, está a ser contestado nas ruas e no parlamento e começa a ficar com a imagem fragilizada dentro e fora do país.

Macron contestado nas ruas e no parlamento

Os protestos contra a reforma do sistema de pensões está a tornar-se uma contestação mais ampla ao presidente e ao seu mandato. Alguns críticos acusam-no de estar "fora da realidade".

Para além de aumentar a idade mínima de reforma dos 62 para os 64 anos, o plano Macron envolve múltiplos ajustamentos ao complexo sistema de pensões francês, entre os quais o aumento de 41 para 43 anos de cotização necessária para a pensão de reforma completa, ou, em contrapartida, a reforma aos 67 anos.   

As autoridades francesas responsabilizaram os radicais pela destruição do protesto. Mas o principal organismo de direitos humanos da Europa, o Conselho da Europa, a Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH), e os Repórteres sem Fronteiras também levantaram a preocupação na sexta-feira sobre a violência da polícia contra o que tem sido um movimento largamente pacífico.

O ministro do Interior, Gerald Darmanin, disse na sexta-feira que estão em curso investigações sobre 11 queixas de violência excessiva por parte da polícia esta semana.

Temendo perturbações nos próximos dias, a Autoridade da Aviação Civil francesa solicitou o cancelamento de um terço dos voos no segundo aeroporto de Paris, Orly, no domingo, e 20% na segunda-feira.

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