Infraestruturas de Portugal explica que condicionamentos são resultado dos estragos nas linhas causados por cheias, quedas de árvores e detritos. Depressão Nils vai trazer chuva intensa esta quarta-feira, sobretudo nas regiões norte e centro
Os efeitos do mau tempo que tem assolado Portugal desde o final de janeiro continuam a provocar problemas no transporte ferroviário.
Segundo o balanço feito esta terça-feira pela Infraestruturas de Portugal (IP), está suspensa a circulação de comboios em troços das linhas do Norte, Sul, Oeste, Douro, Sintra e Cascais.
A IP, responsável pela gestão da rede rodoviária e ferroviária, explica que estes condicionamentos são resultado de "inundações, queda de árvores e detritos", com impacto na infraestrutura. A empresa acrescenta que estão em curso intervenções técnicas no terreno para repor o serviço e restabelecer as condições de segurança.
Na última atualização feita pela Comboios de Portugal (CP), às 17:30 desta terça-feira, é indicada a "suspensão da circulação entre Cacia e Estarreja, na Linha do Norte". Não está prevista a realização de ligações de longo curso nesta linha na quarta-feira, acrescenta a CP.
Na Linha do Oeste e nos Urbanos de Coimbra, a circulação está totalmente suspensa.
Pico de intensidade da chuva na quarta-feira
A depressão Nils vai trazer a Portugal continental um novo rio atmosférico, oriundo das Caraíbas, que provocará chuva persistente e por vezes forte, em especial no norte e centro, prevê o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Os períodos mais críticos deverão ser a madrugada, o final da manhã e o intervalo entre o início e o final da tarde.
O IPMA esclarece, em comunicado, que esta depressão não influenciará diretamente Portugal continental, tendo, no entanto, "associado um sistema frontal que transporta uma massa de ar quente e húmido para a Península Ibérica".
Foram emitidos avisos de precipitação de nível laranja para Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Aveiro e Viseu. Segundo a Proteção Civil, permanece o risco significativo de inundações nos rios Mondego, Tejo, Sorraia e Sado, ao passo que os rios Vouga, Águeda, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana continuam sob risco de cheia, ainda que menor.
Quanto ao vento, adianta o IPMA, "irá soprar por vezes forte, com rajadas até 75 km/h, podendo atingir 100 km/h nas terras altas, particularmente nas regiões a norte do rio Mondego".
A agitação marítima continuará a ser intensa na costa ocidental, "prevendo-se ondas de noroeste com 4 a 6 metros de altura significativa, podendo atingir 11 metros de altura máxima a norte do Cabo Mondego", refere o IPMA.
A partir de quinta-feira, as previsões apontam para um ligeiro desagravamento.
Durante uma visita ao Cartaxo, um dos concelhos mais fustigados pelas cheias da semana passada, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, informou que a situação de inundações no Tejo está neste momento controlada, alertando, no entanto, para a instabilidade das encostas e o risco de deslizamentos de terras por conta da chuva acumulada das últimas semanas.
E-Redes: 35 mil clientes ainda sem energia na zona da depressão Kristin
Às 16:00 desta terça-feira, segundo a E-Redes, perto de 35 mil clientes na zona da depressão Kristin ainda estavam sem energia, dos quais 27 mil no distrito de Leiria, 7 mil no distrito de Santarém e mil no distrito de Castelo Branco. Em Portugal continental, um total de 46 mil clientes continua sem abastecimento de energia elétrica.
A ministra do Ambiente garante que os apoios financeiros estão a chegar às vítimas do temporal.
“O dinheiro já foi transferido pelo senhor ministro das Finanças, já foi transferido para as CCDR. Hoje ouvi o senhor presidente da Estrutura de Missão para a zona Centro dizer que está tudo preparado para começar a pagar os apoios às famílias e às empresas”, declarou Maria da Graça Carvalho à Renascença.
O primeiro-ministro regressa na quarta-feira ao Parlamento para um debate quinzenal previsivelmente centrado na resposta do governo à intempérie que, de forma direta ou indireta, provocou 16 mortes em Portugal. André Ventura, que suspendeu o mandato de deputado durante a campanha para as eleições presidenciais, volta ao hemiciclo e será o primeiro a questionar o chefe do executivo.