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Que países aderiram ao boicote aos Jogos Olímpicos de inverno?

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De  Euronews
Que países aderiram ao boicote aos Jogos Olímpicos de inverno?
Direitos de autor  AFP

A Lituânia é um dos poucos Estados-membros a defender, oficialmente, um boicote diplomático aos Jogos Olímpicos de Inverno, que decorrerão em Pequim,entre 4 e 20 de fevereiro do ano que vem.

Para já, pelo menos, não há uma posição europeia comum sobre a matéria.

Os EUA, por outro lado, defenderam a ausência de representantes do governo por causa de "genocídio, crimes contra a humanidade e outros abusos dos direitos humanos" contra a minoria muçulmana uigur, na província chinesa de Xinjiang.

Países como a Austrália, Nova Zelândia ou Canadá, a par do Reino Unido, seguirão os mesmos passos.

A decisão da Lituânia tem como pano de fundo outras tensões com a China.

Em novembro, Taiwan, ilha que ainda não é reconhecia como Estado pela China, anunciou a abertura de uma missão estrangeira em Vilnius.

Em resposta, Pequim excluiu as empresas que negociam com fornecedores lituanos dos mercados chineses.

Falta de vontade comum

De visita a Bruxelas, para participar num Conselho de Negócios Estrangeiros, o chefe da diplomacia lituana disse, esta segunda-feira, que considerava improvável uma ação unificada ao nível da União Europeia (UE) contra a China.

"Apoio sempre a abordagem europeia, mas às vezes é difícil de encontrar [essa abordagem]," sublinhou Gabrielius Landsbergis.

Na verdade, ainda nenhum outro país apoiou a Lituânia.

França, que assume em janeiro a presidência rotativa da União Europeia, disse que um boicote puramente diplomático seria "uma medida muito pequena e simbólica."

O Luxemburgo, Áustria e Alemanha também aderiram à posição francesa.

"Os Jogos Olímpicos são uma celebração do desporto. Não se deve aproveitar a oportunidade para se fazer política," referiu a chefe da diplomacia alemã, Annalena Baerbock.

Por razões diplomáticas, Itália não poderá colocar-se de parte sobre esta matéria. O país receberá os Jogos Olímpicos de inverno 2026 e, como manda a tradição, o próximo país anfitrião receberá a chama olímpica do antecessor no final dos últimos jogos.

Já o presidente do Comité Olímpico português disse, em declarações à TSF, que o desporto é indissociável da vida política.

José Manuel Constantino ressalvou que no que diz respeito a Portugal não costuma haver muitos atletas nacionais nos Jogos Olímpicos de inverno e que, por tradição, os diplomatas portugueses também não estão presentes.

O tema do boicote não consta da agenda oficial do encontro dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia desta segunda-feira.

Atendendo a que as decisões em matéria de política externa exigem unanimidade, não se espera uma posição sobre este assunto.

Além da Lituânia, juntaram-se à iniciativa dos EUA a Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido.

De visita à Austrália, o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, disse que o país não vai aderir ao boicote diplomático, sublinhando a necessidade de uma cooperação contínua com a China.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Chao Li-chien, acusou os EUA de violar o espírito dos Jogos Olímpicos e de querer interferir nos Jogos "com base em preconceitos ideológicos, mentiras e rumores."

Também garantiu que Washington irá pagar pela atitude.

Boicotes históricos

Desconhece-se qualquer forma de boicote na história dos Jogos Olímpicos de inverno.

No entanto, no caso dos Jogos Olímpicos de verão, há casos de atletas de um grupo de países que não participaram em sete ocasiões.

Os mais memoráveis foram durante a Guerra Fria.

Em 1980, cerca de 65 estados não participar dos Jogos Olímpicos de Moscovo por causa da ocupação soviética do Afeganistão.

Na resposta, a União Soviética e 14 estados do bloco oriental, excluindo a Roménia, boicotaram os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Fizeram uma competição própria, em Moscovo, à qual chamaram de Jogos da Amizade.