Ministros da Energia da UE marcam reunião extraordinária

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De  Aida Sanchez Alonso  & Isabel Marques da Silva
O preço do gás, essencial para produzir energia na Europa, baixou significativamente
O preço do gás, essencial para produzir energia na Europa, baixou significativamente   -   Direitos de autor  Jean-Francois Badias/Copyright 2022 The AP

O preço do gás na Europa é inferior a 100 euros/MwH, muito abaixo dos 350 euros a que chegou em agosto.

Poderão ficar na prateleira, por enquanto, algumas medidas para baixar os preços analisadas, terça-feira, na reunião dos ministros da Energia da União Europeia, no Luxemburgo. Os ministros voltam a reunir-se, extraordinariamente, a 24 de novembro, para fechar o pacote de medidas.

Entre as possibilidades em cima da mesa, poderá não ser alargado, a todo bloco, o mecanismo excecional que permite a Portugal e a Espanha impor um teto máximo para o preço do gás usado para produzir eletricidade.

"Atualmente, o mecanismo não precisa de ser aplicado, porque o preço do gás está abaixo do limite que determinamos para Espanha e Portugal. Mas funciona como uma espécie de seguro: se o preço do gás voltar a subir, os consumidores espanhóis e portugueses estariam protegidos", explicou Teresa Ribera, ministra da Transição Ecológica de Espanha.

Um outono ameno e o bom nível de armazenamento para o inverno na União Europeia explicam a descida de preço no mercado grossista. Mas a situação pode mudar rapidamente e são necessárias medidas a longo prazo.

Como funcionaria o teto dinâmico?

Uma das ideias é criar um teto dinâmico para o preço de gás natural, no mercado bolsista TTF, com sede nos Países Baixos. Em vez de uma valor máximo, haveria um intervalo de dois valores, que poderia ser alterado diariamente. 

Esta ideia é defendida por mais de metade dos Estados-membros, incluindo Portugal.

Uma analista considera que além do preço na Europa, se poderia considerar o valor noutras regiões do mundo.

"Se escolhermos um teto dinâmico de preço, penso que a vantagem será permitir alterações de acordo com as condições específicas do mercado. Assim, poderia ser estabelecido, ou estar diretamente ligado, ao preço do gás noutros mercados, além do europeu. Por exemplo, o da Ásia, que é a outra região do mundo onde se verifica grande concorrência na aquisição de gás natural", disse Elisabetta Cornago, do Centro para a Reforma Europeia, em entrevista à euronews.

Uma das principais críticas a esta medida é que introduz uma manipulação do mercado que pode criar descontentamento nos fornecedores, que não venderiam à Europa. É a posição, nomeadamente, dos governos dos Países Baixos e da Alemanha.