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Exclusivo: Šefčovič promete ajudar empresas na gestão do Pacto Ecológico

Vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic
Vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic Direitos de autor John Thys/AFP or licensors
Direitos de autor John Thys/AFP or licensors
De  Gregoire LoryIsabel Marques da Silva
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O vice-presidente da Comissão Europeia, Maroš Šefčovič, assumiu na terça-feira o controlo do Pacto Ecológico Europeu, depois do neerlandês Frans Timmermans se ter demitido para se candidatar a primeiro-ministro. O político quer envolver mais a sociedade nas soluções para a transição ecológica.

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Maroš Šefčovič disse à euronews que a maior ambição em relação ao Pacto Ecológico Europeu é "acabar o trabalho legislativo antes do fim do mandato", que termina com as eleições europeias, em junho do ano que vem, mas sempre envolvendo a sociedade porque "os cidadãos têm dúvidas e preocupações", disse o vice-presidente da Comissão Europeia, em entrevista exclusiva à euronews.

"Penso que construímos este novo quadro político, mas também legislativo, para o Pacto Ecológico. E agora estamos a aproximar-nos da fase que será igualmente desafiante, se não mais, e que é a do lançamento, a da implementação adequada. É assim que podemos garantir que esta transição climática será feita de uma forma socialmente justa", explicou.

"Em segundo lugar, temos de trabalhar de perto com os industriais, ter mesas redondas com as empresas e os mais afetados pela transição ecológica e pela concorrência internacional. (...) Temos excelentes inovadores, grandes empresas, e penso que temos de trabalhar em estreita colaboração com os nossos cidadãos e o setor industrial para tornar o Pacto Ecológico uma realidade e para demonstrar, efetivamente que esta é a nossa estratégia de crescimento. Já começamos essas interações de forma regular", referiu o vice-presidente.

Se olharmos para este verão, com tantas cheias e incêndios florestais, sabemos que nao podemos deixar o planeta neste estado para a próxima geraçção.
Maroš Šefčovič
Vice-presidente, Comissão Europeia

A urgência é cada vez maior, como mostra o mês de agosto na Europa, sob o efeito de fenómenos climáticos extremos, com inundações na Eslovénia e Áustria e incêndios em Portugal, Espanha, Grécia e França. Os gases com efeito de estufa, derivados da atividade económica humana com base em conbustíveis fósseis, conduzem ao fenómeno de aquecimento global que, por seu lado, desencadeia mudanças climáticas.

"A transição ecológica não é fácil nem para cidadãos, nem para empresas e nem para os governos, mas não nos podemos esquecer que há grandes expetativas da geração mais jovem sobre mantermos o planeta habitável. Se olharmos para este verão, com tantas cheias e incêndios florestais, sabemos que nao podemos deixar o planeta neste estado para a próxima geraçção", acrescentou.

Menos custos e burocracia

O executivo comunitário tem consciência de que há muitas queixas sobre a carga administrativa e financeira relacionada com as imposições burocráticas para ter uma indústria mais ecológica, com menos emissões poluentes, e Šefčovič prometeu "reduzir os custos relacionados com a implementação da legislação europeia, bem como diminuir as exigências sobre relatórios". 

A maior parte do Plano Ecológico Europeu, com o seu "Objetivo 55" (reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em, pelo menos, 55 % até 2030, face aos níveis de 1990), tem avançado, nomeadamente com a reforma do mercado do carbono, fim da venda de automóveis com motor de combustão interna até 2035, etc. 

Mas continuam a ser debatidos textos fundamentais - nomeadamente sobre a redução dos pesticidas e a recuperação dos ecossistemas - face à forte resistência das bancadas mais à direita do Parlamento Europeu e de alguns Estados-membros.

Šefčovič disse que não tomar medidas seria "a pior solução possível". O vice-presidente sugeriu que o executivo deveria, até ao início do próximo ano, propor um objetivo "provisório" para reduzir ainda mais as emissões de gases com efeito de estufa até 2040, sem especificar um nível percentual. Atualmente, a UE só tem objectivos juridicamente vinculativos para 2030 e 2050, altura em que se pretende atingir a neutralidade climática.

O novo comissário europeu pelos Países Baixos

Embora o vice-presidente seja o coordenador desta área (que envolve políticas nas áreas do clima, ambiente, indústria, digitalização e inovação), o novo comissário europeu com origem nos Países Baixos, Wopke Hoekstra (liberal), deverá ficar com a pasta específica das Alterações Climáticas, reportando a Šefčovič. 

Wopke Hoekstra, que foi ministro das Finanças e ministro dos Negócios Estrangeiros, deverá terá de passar uma audição no Parlamento Europeu para poder tomar posse. A bancada de centro-esquerda tem sido muito crítica sobre o facto dos temas do clima não ficarem nas mãos de um político socialista, como era o caso de Frans Timmermans.

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