Novo pacote reforça sanções ao Irão, com proibições de viagem e congelamento de bens por graves violações dos direitos humanos; Kallas apresenta hoje as medidas.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, vai apresentar já esta quinta-feira aos Estados-membros novas sanções contra o Irão, para punir Teerão pela repressão violenta dos protestos, disseram à Euronews dois diplomatas familiarizados com a discussão.
As medidas propostas inserem-se no regime de sanções da UE em matéria de direitos humanos contra o Irão e somam-se a uma vasta gama de proibições de viagem e congelamentos de bens já em vigor.
No início da semana, Kallasindicouque estava preparada para avançar com novas sanções em resposta à repressão, que já provocou milhares de mortes desde que os protestos começaram há quase duas semanas devido ao agravamento da crise cambial.
Pelo menos 2.571 pessoas foram mortas nos protestos, informou na quarta-feira uma organização norte-americana de direitos humanos, embora números não oficiais sugiram que o total real possa ser cinco vezes superior. Donald Trump, presidente dos EUA, deu a entender que "as mortes estão a parar" e que não haveria execuções, sem identificar fontes nem avançar pormenores.
A região preparava-se para uma intervenção militar dos EUA depois de Trump ter apelado na segunda-feira aos manifestantes para resistirem, indicando que a ajuda americana "estava a caminho".
Novas medidas da UE ampliariam um regime de sanções já extenso imposto ao Irão, sobretudo proibições de viagem e congelamentos de bens, em resposta a graves violações de direitos humanos, atividades de proliferação nuclear e apoio militar à Rússia, que recorre regularmente a tecnologia de drones iraniana para atacar a Ucrânia.
Até à data, a UE sancionou mais de 230 iranianos, incluindo o ministro do Interior, Ahmad Vahidi, mais de 40 entidades e membros do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, apesar de este não constar da lista de organizações terroristas da UE, uma designação que está a ser ponderada, embora ainda não haja decisão formal.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE deverão discutir as sanções propostas na próxima reunião, a 29 de janeiro, presidida por Kaja Kallas.