Audiência privada com o Pontífice e conversações com a Secretaria de Estado. A visita de Macron e da sua esposa ao Vaticano durou cerca de duas horas
O momento mais esperado da visita de dois dias do presidente francês Emmanuel Macron a Roma foi o seu encontro com o Papa Leão XIV, na manhã de sexta-feira.
O chefe do Eliseu, acompanhado pela sua esposa Brigitte, permaneceu no Vaticano durante cerca de duas horas. Após a audiência com o Pontífice, Macron manteve também conversações com o Secretário de Estado Pietro Parolin.
As conversações entre o presidente francês e o Papa decorreram num ambiente que algumas agências noticiosas descreveram como "cordial". Entre os principais temas de discussão com Leão XIV estiveram a crise no Médio Oriente, o futuro do multilateralismo, as alterações climáticas e as emergências humanitárias.
No final do encontro, houve ainda uma troca de presentes com Macron , que ofereceu ao Pontífice uma camisola da seleção francesa de basquetebol e um livro sobre a reconstrução da Catedral de Notre Dame após o incêndio de 2019.
Durante a tarde, o presidente francês deverá fazer uma visita privada ao Vicariato de Roma e à Basílica de São João de Latrão, da qual é protocanónico segundo uma tradição que remonta ao tempo dos reis de França.
A visita de Macron à capital começou na quinta-feira com uma paragem na Comunidade de Santo Egídio, onde participou num momento de recolhimento em memória do Beato Floribert Bwana Chiu, um jovem congolês morto em Goma em 2007.
Depois, na basílica de Santa Maria in Trastevere, o presidente permaneceu em silêncio na capela que guarda o casaco usado pelo jovem funcionário aduaneiro e voluntário no momento da sua morte, depois de se ter oposto à passagem de alimentos estragados destinados à população mais vulnerável.
O nó do Médio Oriente
No primeiro encontro entre Emmanuel Macron e o Papa Leão XIV, o dossiê central continua a ser a crise no Médio Oriente, num contexto marcado por uma trégua frágil e fortes tensões internacionais.
Ambos, em várias ocasiões, manifestaram a necessidade de relançar as negociações e conter a escalada, partilhando uma linha marcada pelo diálogo e pelo multilateralismo.
Nos últimos dias, o Pontífice tomou uma posição clara contra a linha americana, definindo a ameaça de Donald Trump contra o Irão como "inaceitável" e apelando à comunidade internacional para favorecer a via diplomática.
O eixo Eliseu - Vaticano
Macron também criticou abertamente a abordagem do presidente dos EUA, acusando-o de alimentar a instabilidade com declarações contraditórias e tons agressivos, marcando uma distância política cada vez mais evidente.
Neste contexto, está a ganhar forma um possível ponto de convergência entre o Vaticano e o Palácio do Eliseu: uma visão partilhada que visa conter a escalada e reconduzir o confronto ao nível diplomático.
Num quadro internacional cada vez mais polarizado, as críticas à linha de Trump poderiam representar um elemento de sintonia entre Macron e Leão XIV, reforçando um eixo informal sobre a paz e a negociação.
Encontro falhado com Meloni
O último encontro oficial entre Emmanuel Macron e Giorgia Meloni remonta a 2025, quando o presidente francês foi recebido no Palazzo Chigi para um encontro bilateral destinado a relançar o diálogo entre Roma e Paris após meses de tensões.
Não está previsto qualquer encontro entre os dois dirigentes durante a atual visita à capital. A agenda de Macron está centrada em compromissos institucionais e religiosos, nomeadamente no Vaticano, sem paragens oficiais no Palazzo Chigi.
O Eliseu definiu a atual visita como "republicana e laica" e, por conseguinte, não inclui quaisquer reuniões políticas bilaterais com o governo italiano.
O último encontro em Roma entre Macron e o presidente da República Sergio Mattarella data de 7 de junho de 2023, quando o chefe do Eliseu foi recebido no Quirinale no âmbito das relações bilaterais entre Itália e França e da aplicação do Tratado do Quirinale.