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Creches multilingues cada vez mais populares na Rússia

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Creches multilingues cada vez mais populares na Rússia

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_Tudo o que se aprende no ensino pré-escolar pode influenciar as nossas escolhas futuras, a nível profissional ou pessoal. A aprendizagem de línguas estrangeiras numa idade precoce pode ser uma grande ajuda para o desenvolvimento das capacidades das crianças.
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Uma língua estrangeira, um estímulo para o cérebro

Uma das questões colocadas frequentemente é a de saber qual é a idade certa para começar a aprender uma língua estrangeira ou estudar ciências e tecnologias. Nesta edição de Learning World, vamos abordar o caso da Rússia, onde as creches multilingues são cada vez mais populares.

"Nestas idades, a aprendizagem de uma língua estrangeira não passa por memorizar. É preciso criar um jogo de personagens e um ambiente linguístico propício à compreensão das crianças. Desse modo estimula-se a capacidade de resposta das crianças e elas sentem-se ao mesmo nível que os adultos", explicou Janna Sugak, diretora da creche Golden Key.

A aprendizagem das línguas estimula o cérebro das crianças e facilita a aprendizagem de várias matérias.

"Desenvolvemos a nossa própria metodologia que pode ser usada em qualquer sítio. Aprender três ou quatro línguas não é um problema e estimula a vontade de estudar outras coisas. De manhã, começamos pelo inglês, depois temos aulas de teatro ou dança em francês e no final do dia, as crianças brincam usando uma terceira língua", sublinhou Alexander Adamsky, responsável do Instituto de Política Educacional Eureka.

A aprendizagem do pensamento científico

Além da aprendizagem de línguas estrangeiras, a infância pode ser o momento propício para desenvolver competências tecnológicas.

Na Rússia, o programa Kvantorium permite aos estudantes aprenderem bases de robótica e de informática, entre outras matérias técnicas, de forma gratuita. Lançada há dois anos, a iniciativa russa é seguida por mais de cem mil crianças em oitenta centros espalhados pelo país.

As crianças podem frequentar os centros a partir dos onze anos. O único pré-requisito é a vontade de trabalhar em equipa.

"A nossa tarefa era fazer um robô que servisse de guia para o museu da nossa cidade e fizemos um protótipo e estamos a tentar fazê-lo funcionar", contou Gosha, um menino de 12 anos que frequenta o centro em Kaliningrado.

Uma máquina que fornece produtos de primeira necessidade às pessoas sem-abrigo foi um dos projetos desenvolvidos no âmbito do programa russo que promove a autonomia das crianças.

"O papel dos tutores é apenas indicar a direção a seguir. As crianças devem desenvolver os seus próprios projetos do início ao fim", explicou uma das responsáveis.

Para que as crianças que vivem longe dos centros urbanos não fiquem excluídas do acesso à tecnologia, o programa desenvolveu um veículo que se desloca aos locais mais remotos do país.

"Não existe no mundo nenhum programa similar ao nosso. Recebemos pedidos de vinte países para transferir o nosso conceito. Com o governo, estamos a planear enviar as unidades móveis para o estrangeiro", contou Marina Rakova, fundadora da rede Kvantorium.