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Projeto europeu usa leveduras para fabricar biomateriais

Projeto europeu usa leveduras para fabricar biomateriais
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A levedura é usada pela humanidade há mais de sete mil anos para cozer pão, fermentar alimentos e bebidas. Será que estes organismos unicelulares poderão executar uma tarefa ainda mais complexa como substituir os produtos petroquímicos nos medicamentos, cosméticos, plásticos e combustíveis?

Para responder ao desafio, os cientistas do projeto europeu Chassy combinam as propriedades da levedura com a engenharia genética.

As células da levedura funcionam como minifábricas que transformam o áçucar noutros produtos químicos.

"Para torná-las mais eficientes enquanto fábricas celulares o que temos de fazer é relançar o metabolismo das leveduras. O objetivo é que elas convertam o açúcar noutros produtos e garantir que quase todas as moléculas de açúcar que entram na levedura saem na forma de um produto", sublinhou Jack Pronk, investigador em Microbiologia Industrial da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda.

As leveduras reprogramadas geneticamente podem transformar o desperdício agrícola em biomoléculas, que podem depois ser usadas para construir plástico, cosméticos e outros produtos de consumo. O que permite substituir o uso de produtos petroquímicos por materiais biológicos.

"Neste projeto usamos genes provenientes de plantas para poder produzir um metabolito que é produzido por plantas como por exemplo, a laranja. Produzimos por exemplo, a naringina, que é uma molécula produzida pelos frutos do grupo dos limões, toranjas e laranjas, por exemplo", afirmou Jean-Marc Daran, microbiólogo molecular da Universidade de Tecnologia de Delf.

Para reprogramar a levedura, os cientistas usam a ferramenta de edição genética CRISPR que funciona como uma tesoura que recorta a parte de cadeia de ADN que precisa de ser substituída.

Os investigadores inserem genes de plantas ou bactérias na levedura, o que altera o funcionamento da fábrica celular, nomeadamente ao nível do cheiro.

"Editámos o ADN e adicionámos um gene de uma planta, entre outros genes e por isso cheira a rosas. É claro que o nosso laboratório cheira melhor mas o mais importante para nós é encontrar aplicações industriais para os produtos, e neste caso poderá ser um composto aromático para a indústria cosmética, Os perfumes, o rímel e o baton podem ter este sabor", contou Jasmijn Hassing, investigadora em engenharia Metabólica da Universidade de Tecnologia de Delft.

Quando tivermos estirpes capazes de produzir produtos químicos em condições similares às da escala industrial, nessa altura transferiremos esta tecnologia aos parceiros interessados
John Morrissey
investigador

O objetivo dos projeto europeu é partilhar os frutos da investigação com as empresas europeias para que elas comercializem os produtos.

"Quando tivermos estirpes capazes de produzir produtos químicos em condições similares às da escala industrial, nessa altura transferiremos esta tecnologia aos parceiros interessados. Eles poderão ter acesso a enormes fermentadores e poderão testá-los em grande escala com o objetivo de desenvolver um processo comercial", afirmou John Morrissey, coordenador do projeto europeu Chassy e especialista em biotecnologia da Escola de Microbiologia da Universidade de Cork.

O recurso às biotecnologias poderá acelerar o desenvolvimento de novos produtos com menos impacto ambiental que o petróleo.

"A nossa investigação é importante para toda uma série de empresas de biotecnologia, por exemplo para fabricar bioplásticos ou outros produtos volumosos. É também importante para start-ups que querem desenvolver um novo produto, começar do zero e obter compostos de elevado valor acrescentado que podem ser usados na indústria farmacêutica, alimentar ou nos perfumes, etc", explicou Jack Pronk, investigador em Microbiologia Industrial da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda.

O projeto europeu Chassy é fruto de uma parceria entre seis universidades europeias, Irlanda, Holanda, Suécia, França, Alemanha e Suíça.