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Brexit preocupa a um mês da cimeira anglo-africana em Londres

Príncipe Harry, de Inglaterra, na recente visita ao Presidente de Angola
Príncipe Harry, de Inglaterra, na recente visita ao Presidente de Angola   -  
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ASSOCIATED PRESS/ Dominic Lipinski
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África, e em particular Angola, já manifestou o desejo de aderir à Commonwealth, têm os holofotes apontados esta semana ao Reino Unido.

Pouco mais de um ano após a visita da ex-primeira-ministra Theresa May ao continente, já em busca de aliados económicos para o período pós-Brexit, os britânicos escolhem esta quinta-feira um novo governo e com isso vão também decidir o futuro do reino.

Implícito no boletim de voto vai estar uma vez mais o processo do Brexit, agora com o desfecho marcado para 31 de janeiro.

PR recebe convite para cimeira de Londres

Luanda - O Presidente da República, João Lourenço, recebeu na terça-feira, 26.11 um convite do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, para participar na cimeira sobre investimento em África, a realizar-se a 20 de Janeiro de 2020, em Londres.

Publiée par Angop - Agência Angola Press sur Mercredi 27 novembre 2019

A incerteza do futuro económico dos britânicos está a afetar a perspetiva dos convidados por Londres para a cimeira anglo-africana.

Há muitas questões a ser levantadas. Por exemplo, na Nigéria.

"A data escolhida é curiosa. É uma cimeira orientada para o investimento, mas o Reino Unido vai ter agora eleições e não sabemos quem estará no governo em janeiro. Os britânicos estão também a tentar resolver o Brexit", sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, em declarações exclusivas à Euronews, em Luanda.

Para quem vai a Londres à procura de investimento, são demasiadas incertezas com tão pouco tempo.

"Do ponto de vista africano, o que pretendemos é ir para uma cimeira como esta sendo capazes de desenhar um plano a médio prazo", defendeu ainda Geoffrey Onyeama.

E, em junho do ano passado, numa entrevista à Euronews, o presidente de Angola deixou no ar um plano a médio prazo que agradou a Londres.

"Não se admirem que estejamos a pedir agora adesão à francofonia e que daqui a uns dias estejamos também a pedir adesão à Commonwealth", afirmou na altura João Lourenço, numa entrevista que teve eco em diversos meios de comunicação anglófonos e que até mereceu uma reação positiva do então ministro dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson, o atual primeiro-ministro conservador e favorito a ganhar as eleições.

Da câmara alta do Parlamento britânico surgiu também uma posição formal de abertura ao desejo de João Lourenço em juntar Angola à antiga comunidade britânica das nações, hoje com 53 países, incluindo três países que nunca fizeram parte do império da coroa do Reino Unido.

"O Reino Unido está comprometido em aprofundar as relações bilaterais com Angola. (...) O Reino Unido apoia a ambição de adesão de Angola à Commonwealth desde que respeite os critérios de associação", afirmou o lorde Ahmad de Wimbledon, em fevereiro deste ano, numa resposta ao lorde Steel de Aikwood.

Também por isto, a cimeira anglo-africana foi um dos tópicos da recente visita a Luanda do trabalhista e antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair.

"A cimeira de janeiro serve para as nações africanas se juntarem ao Reino Unido e explorarem oportunidades de investimento, negócio e comércio. A razão de termos esta conferência de investimento no próximo ano serve para que parte da diversidade económica africana possa atrair países como o Reino Unido para Angola", afirmou Blair, aos jornalistas, em Luanda.

A cimeira anglo-africana está marcada para 20 de janeiro, em Londres. As eleições no Reino Unido são já esta quinta-feira.

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