Testemunho de uma sobrevivente

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De  Ricardo FigueiraDarren McCaffrey
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Rita King regressa a Auschwitz pela primeira vez em 75 anos.

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Rita King vai regressar a Auschwitz pela primeira vez em 75 anos. Tinha 17 anos quando saiu de lá.

"Não tenho vontade de voltar a um tempo em que fui perseguida, estava apavorada, não sabia o que me iria acontecer em Auschwitz", diz, com alguma apreensão sobre este regresso.

Rita cresceu no leste da Polónia, a poucas horas de distância do campo: "Não era um luxo, mas era a minha casa. Estava com os meus pais, as minhas irmãs, o meu irmão, a minha família. Tinha também tias e tios. De repente, toda a gente desapareceu", conta.

Escapou devido à benevolência de um dos funcionários: "Foi um alemão. Disse-me que era muito jovem para estar ali e me ia encontrar um trabalho na cozinha e foi o que fez. Na altura, não sabia o que estavam a fazer. Passei inspeções e só depois percebi as coisas que estavam a acontecer e que tive sorte em não ir parar às câmaras de gás. Fui um dos sortudos".

Depois da libertação foi para Nova Iorque, onde fundou uma família. Muitos viajaram com ela para as cerimónias dos 75 anos.

A história de Rita é uma de vários milhões. Muitos não sobreviveram e serão lembrados nestas cerimónias em que se juntam milhares de pessoas, de todo o mundo, para lembrar as cerca de 1,1 milhões de pessoas que perderam a vida neste campo e as mais de seis milhões de vítimas do Holocausto.

75 anos depois, o tempo passou e as memórias desvaneceram-se, mas Rita defende que é essencial não esquecer, tendo em conta o crescimento do antissemitismo na Europa.

Perguntada sobre se o que aconteceu na Polónia há 75 anos pode voltar a acontecer, responde: "Pode, mas não devia poder".

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