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Bulgária estimula produção local

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Bulgária estimula produção local
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O impacto económico da pandemia de covid-19 levou vários países europeus a virar-se para dentro. Na Bulgária, o governo pretende estimular a produção local com uma série de medidas protecionistas no setor agroalimentar.

Metade das prateleiras destinadas ao setor da alimentação nos supermercados está agora reservada para produtos nacionais, com o executivo a favorecer as cadeias de distribuição mais curtas. A campanha "Redescobrir a Bulgária" estende-se também ao turismo e à restauração.

A nova regulamentação estará em vigor até ao final do ano, mas não falta quem defenda que a política deve ser adotada a longo prazo. Para os produtores de fruta e legumes do país, as medidas são bem-vindas. O setor está há vários anos à beira do colapso e tem sido incapaz de rivalizar com as importações de outros países europeus.

Em 2019, os produtos importados atingiram entre um terço e metade do total de vendas efetuadas. O estímulo à produção local choca com o mercado livre da União Europeia e com as regras da Política Agrícola Comum. A Comissão Europeia já torceu o nariz à crescente onda de protecionismo e lembrou que nenhum país europeu tem capacidade para ser autossuficiente.

Os agricultores búlgaros, no entanto, queixam-se que não podem contar com Bruxelas para sobreviver. É o caso de Krassimir Kumchev, que acusa os restantes países europeus de concorrência desleal:

"Os produtores de maçãs na Polónia recebem um subsídio europeu de 25 cêntimos e um subsídio nacional do mesmo valor. São 50 cêntimos por quilo. Eu só posso sonhar com esse dinheiro. Na Bulgária recebemos um cêntimo e meio por quilo, são 33 vezes menos. É suposto a solidariedade ser isto? É esta a competitividade de que todos falam? Nesse sentido, a Comissão Europeia não devia controlar tanto a Bulgária. Se querem um mercado livre, toda a gente devia estar em pé de igualdade no que diz respeito aos subsídios. Por isso é que digo, acabem com os subsídios na União Europeia!"

Vários países europeus apelaram já ao consumo de produtos nacionais, desde a França à República Checa, mas até ao momento, nenhum foi tão longe como a Bulgária. A Comissão Europeia teme que as medidas protecionistas desestabilizem a coesão económica europeia e promete agir contra qualquer medida que ponha em causa o mercado livre.