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França luta contra atraso nas vacinas

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De  Guillaume Petit
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França luta contra atraso nas vacinas
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Meses de espera por alguns segundos de injeção: Em Lyon, a alergologista Véronique Boissonet é um dos profissionais de saúde com mais de 50 anos autorizados a levar a vacina num dos 4 centros de vacinação criados há uma semana: "Faço-o por mim, pelos meus pacientes e pela minha família e amigos. Claro que depois disso terei de continuar a usar uma máscara, porque posso ser portadora", conta.

Esta médica espera que os colegas mais jovens se juntem em breve a ela e aos 300 profissionais de saúde que já foram vacinados na segunda maior aglomeração francesa: "Ainda temos médicos e enfermeiros que estão muito expostos à Covid-19 em unidades de cuidados intensivos, têm menos de 50 anos mas têm de se manter saudáveis".

Governo reage a críticas por lentidão

Os profissionais de saúde com mais de 50 anos só deveriam ser vacinados no final de janeiro, depois dos residentes e do pessoal dos lares de idosos. Mas face às críticas que apontavam para a lentidão da campanha de vacinação, o governo francês decidiu acelerar, com o país ainda bastante atrasado em relação aos vizinhos europeus.

A vacinação é precedida por uma consulta médica e não há pressa para os médicos, que preferem reservar tempo para responder a perguntas: "Os profissionais de saúde chamam-nos para fazer perguntas, como se podem tomar a vacina tendo alergias ou tendo já contraído o vírus. Levamos algum tempo a responder-lhes", diz Claudine Pasquet-Wolckmann, médica do trabalho no Hospital da Croix-Rousse em Lyon.

As doses da vacina para a Covid-19 são armazenadas na farmácia do hospital e entregues para satisfazer as necessidades do dia, o que implica ser reativo em termos de logística.

A pandemia está longe de estar sob controlo em França e a vacinação foi também aberta a profissionais privados. Foi criado um centro de vacinação específico, que permite que enfermeiros ao domicílio, farmacêuticos e outros profissionais do setor privado sejam vacinados.

Claire Neel, farmacêutica de 66 anos, está na linha da frente desde o início da pandemia. Ao ser vacinada, espera convencer os mais relutantes, que encontra diariamente: "Algumas pessoas dizem que estamos a ser manipulados, outras vão ainda mais longe e dizem que é tudo falso. Eu digo-lhes que vão em frente, se puderem", diz.

Necessário combater o ceticismo

Mas a relutância pode também ser expressa por uma minoria de prestadores de cuidados, céticos em relação a uma vacina desenvolvida em tempo recorde.

O Professor Christian Chidiac, chefe do departamento de doenças infecciosas do Hospital da Croix-Rousse, explica: "O debate sobre a velocidade do desenvolvimento de vacinas pode ser encerrado agora. Todos os estudos foram feitos corretamente: 44.000 pacientes para o estudo da Pfizer/BioNTech e 33.000 para o da Moderna. O que foi acelerado foi apenas o processo administrativo e burocrático. Por isso, penso que o panorama é tranquilizador. Obviamente, não sabemos o que irá acontecer dentro de 5 anos com as pessoas que foram vacinadas, mas isso é o que acontece com qualquer medicamento novo".

Até agora, não foram observados efeitos adversos, disse a agência nacional francesa de medicina. A próxima fase da vacinação terá início a 18 de janeiro, para os maiores de 75 anos que não vivem nos lares, o que já foi feito no Reino Unido e Itália.

Nome do jornalista • Ricardo Figueira