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"É hora de encerrar a guerra mais longa." Biden anuncia retirada do Afeganistão

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De  Euronews com Lusa
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"É hora de encerrar a guerra mais longa." Biden anuncia retirada do Afeganistão
Direitos de autor  BRENDAN SMIALOWSKI/AFP or licensors
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O Governo norte-americano do Presidente Joe Biden anunciou hoje que retirará todos os soldados norte-americanos do Afeganistão até 11 de setembro.

Os Estados Unidos (EUA) tinham-se comprometido com os talibãs a retirar a totalidade das tropas do Afeganistão antes de 01 de maio, mas Biden garante agora que a promessa será cumprida até 11 de setembro.

A data do 20.º aniversário do ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 será o marco para o cumprimento da promessa de retirada total das forças militares norte-americanas no Afeganistão.

"Sou o quarto Presidente americano a gerir a presença militar americana no Afeganistão (...), não vou passar essa responsabilidade para um quinto. (...) Não podemos continuar o ciclo de estender ou fortalecer a nossa presença militar no Afeganistão, na esperança de criar as condições ideais para uma retirada", disse o Presidente dos EUA. "Chegou a hora de encerrar a guerra mais longa da América. Chegou a hora de trazer as tropas americanas de volta a casa", concluíu o Presidente norte-americano.

Os Estados Unidos intervieram no Afeganistão após os atos terroristas em Nova Iorque e em Washington, retirando os talibãs do poder em Cabul, acusando-os de terem acolhido o grupo ‘jihadista’ Al-Qaeda, responsável pelos ataques, bem como ao seu líder, Osama bin Laden.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, também anunciou hoje que as tropas da Aliança irão começar a sair do Afeganistão a 01 de maio, prevendo a retirada total da Aliança do país nos meses que se seguirão.

“Tendo em conta a decisão dos Estados Unidos de sair [do Afeganistão], os ministros dos Negócios Estrangeiros e de Defesa da NATO discutiram hoje o caminho a seguir e decidiram que iremos começar a retirada das forças da missão ‘Resolute Support’ da NATO a 01 de maio”, anunciou Stoltenberg.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) falava em conferência de imprensa em Bruxelas, junto do secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, e do secretário de Defesa, Lloyd Austin, após uma sessão do Conselho do Atlântico Norte, convocada com urgência pelos Estados Unidos e em que participaram os ministros dos Negócios Estrangeiros e de Defesa da Aliança.

Numa declaração quase sincronizada com a do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que anunciou poucos minutos antes que os soldados norte-americanos se retirarão do Afeganistão até 11 de setembro, Stoltenberg indicou que a saída das tropas será feita de maneira “ordenada, coordenada e deliberada”.

“Contamos concluir a retirada de todas as nossas tropas no espaço de alguns meses. Qualquer ataque dos talibãs às nossas forças durante esse período conhecerá uma resposta vigorosa”, apontou Stoltenberg.

O secretário-geral da Aliança frisou também que a saída das tropas da Aliança se prende com a decisão de que a NATO foi para o Afeganistão “junta, ajustou a postura de maneira conjunta e vai sair junta”.

Stoltenberg reconheceu, no entanto, que sair do Afeganistão não foi “uma escolha fácil” e “cria riscos”, mas ressalvou que não se trata do “fim da relação” da NATO com o país, mas antes o início “de um novo capítulo”.

“Os aliados e parceiros da NATO irão manter-se ao lado do povo afegão. Mas agora ao cabe ao povo [afegão] construir uma paz sustentável, que põe fim à violência, salvaguarda os direitos humanos de todos os afegãos – em particular, as mulheres, as crianças e as minorias – respeita o Estado de direito, e assegura que o Afeganistão não volta a tornar-se num porto seguro para terroristas”, sublinhou.

Joe Biden anunciou hoje que as tropas dos Estados Unidos irão sair do Afeganistão até dia 11 de setembro, antes do vigésimo aniversário dos ataques nos Estados Unidos que motivaram a intervenção inicial.

Apesar de retirarem as tropas do Afeganistão, tal como a antiga administração de Donald Trump tinha acordado em fevereiro de 2020 com os talibãs, os Estados Unidos não cumprem a data estipulada nesse entendimento, que ditava que a retirada de tropas teria de ocorrer até dia 01 de maio.

Em resposta, os talibãs ameaçaram hoje boicotar todas as negociações de paz com o Governo afegão – que ocorrem em Doha – e retomar os ataques às tropas internacionais se os Estados Unidos não cumprirem o acordado.

A NATO envolveu-se no Afeganistão em 2001, após os Aliados terem invocado, a 12 de setembro e pela primeira vez na história da Aliança, o artigo 5.º do tratado do Atlântico Norte – o princípio de defesa coletiva, que determina que um ataque contra um ou mais dos membros da NATO é considerado um ataque contra todos –, em seguimento dos ataques de 11 de setembro de 2001 perpetrados pela Al Qaeda nos Estados Unidos.

Em agosto de 2003, a Aliança assumiu o comando de uma missão militar intitulada Força Internacional de Assistência para Segurança (ISAF, na sigla em inglês), mandatada pela ONU.

Dirigida pela NATO até ao final de 2014, tornou-se na mais longa missão da história da Aliança e mobilizou, no seu pico, 130 mil militares no terreno.

Atualmente, encontram-se cerca de 9.600 soldados dos Aliados no Afeganistão, no âmbito da missão ‘Resolute Support’ – que substituiu, em 2015, a ISAF – e em que Portugal participa através do destacamento de 174 militares, segundo dados comunicados pela Aliança em fevereiro de 2021.

Desde o início da guerra no Afeganistão, estima-se que morreram cerca de 3.500 militares da NATO, dos quais 2.400 eram norte-americanos.