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Nepal tenta recuperar a arte sacra levada do país e já resgatou alguma nos Estados Unidos

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De  Francisco Marques
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Autoridades nepalesas e norte-americanas mostram artefacto restituído em abril
Autoridades nepalesas e norte-americanas mostram artefacto restituído em abril   -   Direitos de autor  PRAKASH MATHEMA / AFP

O Nepal tem um curso uma iniciativa para recuperar a arte sacra que tem vindo a ser levada do país e que se encontra exposta em museus e galerias de todo o mundo. Alguns artefactos já foram resgatados dos Estados Unidos.

O "Museu Global Nepalês" é a extensão digital deste movimento iniciado em 2019, depois de um artefacto nepalês ter sido descoberto em exibição numa galeria de arte de Nova Gales do sul, na Austrália.

Roshan Mishra identificou a estátua de madeira de uma deusa como uma que tinha desaparecido cerca de 50 anos antes de um templo no vale de Catmandu, onde vive.

Dois anos depois, o arquivo digital tem listados quase três mil artefactosexpostos em museus fora do Nepal e já contribuiu para a recuperação de alguns tesouros de arte sacra pelo país.

Em março deste ano, por exemplo, o FBI mediou a devolução pelo Museu de Arte de Dallas, nos Estados Unidos, de uma estatueta andrógina, datada de entre o século XII e o século XV, que tinha sido levada do templo original há cerca de quatro décadas.

A estatueta deverá ser devolvida ao templo ainda antes do final do ano.

Era apenas um artefacto do espólio de milhares que os ativistas deste movimento nepalês pretendem recuperar.

Para nós, a arte não é apenas arte, são deuses. Representam a herança tangível, mas muita da herança intangível está também ligada a estes artefactos. Este tipo de cultura viva é rara no mundo.
Rabindra Puri
Especialista em antiguidades nepalesas

Para o especialista em antiguidades nepalesas Rabindra Puri, que recolheu muitos destes artefactos recuperados para a devolução aos altares originais, estes artefactos são muito mais do que simples arte. Para os nepaleses, são sagrados.

O movimento de resgate de artefactos do Nepal ganhou ainda mais força em junho, após a partilha por Sweta Gyanu Baniya, professora na Universidade de Tecnologia da Virginia, do vídeo de um colar nepalês do século XVII em exibição num museu de Chicago, também nos Estados Unidos.

"Tive uma reação afetiva, tão poderosa que de imediato comecei a chorar diante do colar enquanto me curvava e começava a rezar. Comecei simplesmente a rezar como se estivesse no templo", recordou Sweta Baniya, numa vídeo entrevista difundida pela AFP.

O colar descoberto em Chicago fazia parte da arte sacra de um templo de Catmandu, tinha desaparecido na década de 70 do século XX e é mais uma das peças na lista para ser recuperada.

O diretor-geral do departamento de Arqueologia do Nepal diz estar em curso "um esforço diplomático com pedidos" de restituição de arte sacra nepalesa.

"Esperamos que os ídolos que deixaram o nosso país sejam devolvidos. O governo nepalês está comprometido e em alerta para a preservação e proteção da outras propriedades culturais", assegurou Damodar Gautam.

Até agora, são ainda poucos os artefactos na lista recuperados pelo Nepal. Este ano, foram somente seis, mas o trabalho continua.

Outras fontes • AFP