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Guerra na Ucrânia, dia 6: TPI foca-se nos "crimes de guerra" e Kremlin acentua ofensiva

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De  Francisco Marques
Destroços no local de um dos bombardeamentos em Kharkiv deste dia 6 da invasão
Destroços no local de um dos bombardeamentos em Kharkiv deste dia 6 da invasão   -   Direitos de autor  AP/ Pavel Dorogoy

A invasão da Ucrânia pelas forças fiéis a Vladimir Putin está no sexto dia. Os ataques russos atingiram esta terça-feira a praça central de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, de maioria russófona, no que o presidente ucraniano classificou como uma flagrante campanha de terror por parte de Moscovo.

"Ninguém vai perdoar. Ninguém esquecerá", prometeu Volodymyr Zelenskyy.

O Tribunal Penal Internacional anunciou para 7 e 8 de março as primeiras audiências sobre a guerra na Ucrânia.

O TPI recebeu uma queixa do governo ucraniano e terá recebido também outra da Lituânia denunciado com "evidências significativas" alegados "crimes de guerra e contra a Humanidade" cometidos pelas forças russas na invasão ucraniana e na segunda-feira o procurador KArim Khan confirmou a investigação.

A segunda ronda de negociações entre as delegações do governo da Ucrânia e a do Kremlin deverá decorrer, em principio, esta quarta-feira, avançam os meios de comunicações russos. O Presidente da Ucrânia garantiu, no entanto, que só irá estar representado na mesa se o Kremlin parar os bombardeamentos.

O regulador do Kremlin para os meios de comunicação ameaça bloquear o portal Wikipedia na Rússia após a publicação de um artigo intitulado "A invasão russa da Ucrânia em 2022".

A Roskomnadzor acusa o portal de estar a "disseminar informação ilegalmente" sobre o que exige ser referido como "uma operação militar especial", as vítimas civis ucranianas e a falta de dinheiro nos bancos russos.

A empresa por trás do projeto "Nord Stream 2", o gasoduto agora cancelado que iria ligar a Rússia à Alemanha, decretou falência, revelou um alto responsável suíço à cadeia helvética SRF. A empresa também já tinha dispensado vários trabalhadores devido às sanções europeias sobre a Rússia.

Os bombardeamentos das forças fiéis a Putin intensificaram-se esta terça-feira. Além da entrada na cidade Kherson, no sul do país, perto da Crimeia, e dos mísseis que destruíram diversos edifícios em Khakiv, matando pelo menos 18 pessoas, os bombardeamentos também aumentaram em Kiev, para onde se dirige um enorme comboio militar.

Um dos mísseis russos atingiu a torre de TV de Kiev, matando cinco pessoas e ferindo outras cinco. O impacto deu-se perto do memorial Babyn Yar pelas vítimas dos nazis na II Guerra Mundial.

A FIFPro lamentou a morte dos primeiros futebolistas ucranianos em contexto de guerra. Vitalii Sapylo, de 21 anos, e Dmytro Martynenko, de 25, jogavam respetivamente pelo Karpaty e pelo FC Hostomel, das ligas inferiores ucranianas.

Mais de 70 ucranianos morreram num ataque maciço de artilharia russa sobre a base militar de Okhtyrka, meio caminho entre Kiev e Kharkiv.

A China anunciou que vai manter os laços normais de comércio com a Rússia, demarcando-se do isolamento imposto a Moscovo pela maior parte da comunidade internacional, nomeadamente europeia e da América do Norte. "Nunca vimos as sanções como uma solução eficiente de resolver problemas", disse Wang Wenbin, citado pela TASS.

De acordo com várias fontes, o governo de Vladimir Putin exige o reconhecimento da independência dias Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk pelas fronteiras administrativas de ambas as regiões e que abdique de reclamar a devolução da Crimeia.

As mesmas fontes alegam que a Ucrânia exige o cessar-fogo e a retirada das tropas russas do respetivo território, onde incluem as regiões separatistas e a península anexada unilateralmente pela Rússia em 2014.

A agência espacial russa, a Roscosmos, revela-se cética sobre o prolongamento da licença para operar na Estação Espacial Internacional. O atual contrato termina em 2024.

A agência TASS noticiou um contacto telefónico entre Putin e o Presidnete da Venezuela. O líder do Kremlin terá colocado Nicolás Maduro a par dos objetivos da presente invasão russa da Ucrânia, que o Kremlin ordenou ser referida na Rússia como uma "operação militar especial".

Apesar dos bombardeamentos russos inclusive sobre áreas residenciais civis em cidades de larga maioria russófona, como Kharkiv ou Mariupol, Putin terá garantido a Maduro que a ofensiva tem por objetivo "a proteção da população civil do Donbass", além de pretender o reconhecimento da Ucrânia das repúblicas populares e da anexação da Crimeia.

O Presidente da Bielorrússia apelou a Vladimir Putin para um reforço dos sistemas de mísseis S-400, avança a agência estatal TASS.

"Vamos ter pessoal suficiente, mas material não. Por isso, pedi a Putin para que, além dos sistemas S-400 que temos na região de Gomel, outros S-400 sejam mobilizados para a zona um pouco mais a oeste de Minsk", disse Alexander Lukashenko, num vídeo partilhado pela conta oficial na rede Telegram.

O Reino Unido anunciou ter aplicado sanções à Bielorrússia devido ao apoio dado à ofensiva do Kremlin na Ucrânia.

O regime de Lukashenko está ativamente a ajudar e é cúmplice na invasão ilegal da Rússia à Ucrânia e vai sofrer as consequências económicas desse apoio a Putin.
Liz Truss
Ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido

O Ministério da Defesa da Rússia avisou os residentes de Kiev para abandonarem a capital da Ucrânia sob a ameaça de bombardeamentos de alta precisão contra os Serviços de Segurança da Ucrânia (SBU, na sigla original) e os 72.° Centro de Informação e de Operações Psicológicas".

"Avisamos os cidadãos ucranianos envolvidos pelos nacionalistas ucranianos nas provocações contra a Rússia e aos residentes de Kiev que habitam perto das estações de ligação para abandonarem as respetivas casas", comunicou o ministério russo.

Ao mesmo tempo, um comboio com mais de 60 quilómetros, com tanques e outros veículos militares russos avança sobre a capital, Kiev, no que o Ocidente teme ser uma tentativa de derrubar o governo da Ucrânia e instalar um regime amigo do Kremlin.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal reiterou os avisos para que os cidadãos portugueses ainda em Kiev para deixarem a capital ucraniana, onde constatou haver "um agravamento da insegurança".

"Aconselhamos os cidadãos portugueses que ainda estejam na cidade a manter-se abrigados, se tiverem uma oportunidade de sair, deverão procurar fazê-lo com a maior cautela", lê-se nota nota oficial.

A ofensiva russa continua a pressionar outras vilas e cidades ucranianas, incluindo os portos estratégicos de Odessa e Mariupol, no sul.

A Praça da Liberdade de Kharkiv, a maior praça da Ucrânia e núcleo da vida pública da cidade, foi atingida com o que se acredita ser um míssil. O ataque destruiu janelas e paredes de edifícios que rodeiam a enorme praça central.

"As pessoas estão debaixo das ruínas. Retirámos corpos", disse Yevhen Vasylenko, representante do Ministério ucraniano das Situações de Emergência na região de Kharkiv. Para além dos seis mortos, 20 ficaram feridos na greve, disse ele.

O Parlamento Europeu está reunido para coordenar a gestão conjunta da resposta ao Kremlin. Uma sessão marcada pela renovação do pedido de adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) formalizado esta segunda-feira.

"Provem que estão connosco": Zelensky pede à União Europeia que passe à acção

Num discurso em direto, em vídeo-conferência, "entre dois bombardeamentos", o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, renovou o apelo à integração do seu país na UE "sem demora" e pediu aos europeus que "provem" que estão com a Ucrânia.

"Estamos a lutar pelos nossos direitos, pelas nossas liberdades, pelas nossas vidas, pela nossa sobrevivência (...) provem que estão connosco, provem que não nos abandonam e que são realmente europeus", insistiu ele, despertando o aplauso dos presentes no Parlamento Europeu.

"Assumiremos as nossas responsabilidades", respondeu Charles Michel, o Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel que acusou a Rússia de "terrorismo geopolítico".

"Não é apenas a Ucrânia que está sob ataque. O Direito Internacional, a ordem internacional baseada nessas regras, a democracia e a dignidade humana estão também sob ataque. É terrorismo geopolítico puro e simples", afirmou Charles Michel.

União Europeia reforça ajuda financeira à Ucrânia

A presidente da Comissão Europeia anunciou um pacote de 500 milhões de euros em ajuda humanitária para a Ucrânia, a juntar aos 450 milhões já desbloqueados para a os esforço militar de "defesa da paz".

Ursula von der Leyen reconheceu que as sanções económicas impostas contra a Rússia também terão um preço para a União Europeia, mas considera que os cidadãos europeus estão dispostos a pagar esta fatura em troca da protecção da liberdade.

"Penso que os europeus compreendem muito bem que temos de fazer frente a esta agressão cruel. Sim, a protecção da nossa liberdade tem um preço. Mas este é um momento decisivo. E este é um custo que estamos dispostos a pagar. Porque a liberdade não tem preço", disse Von der Leyen no discurso ao Parlamento Europeu.

O Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, deixou claro à Rússia na terça-feira que a UE não "trocará os direitos humanos pelo seu gás", e que começará a trabalhar para "cancelar" a dependência da UE em relação aos hidrocarbonetos russos.

"Não vamos abandonar a defesa dos nossos direitos humanos e liberdade porque estamos mais ou menos dependentes da Rússia", salientou Borrell durante um discurso numa sessão plenária extraordinária do Parlamento Europeu para debater a invasão russa da Ucrânia.

Os bombardeamentos desta manhã no centro da cidade de Kharkiv provocaram "pelo menos 10 mortos e mais de 20 feridos". "Os socorristas e os voluntários conseguiram salvar pelo menos 10 pessoas dos escombros, de acordo com um balanço preliminar", informou o serviço ucraniano de situações de emergência.

O euro desvalorizou face ao dólar devido ao receio dos investidores após o intensificar dos ataques das forças militares do Kremlin sobre a Ucrânia. Às 18 horas de Lisboa, o euro negociava a valer 1,1112 dólares contra os 1,1202 registados 24 horas antes.

Boicote diplomático

Dezenas de diplomatas saíram de duas reuniões nas Nações Unidas, em Genebra, nas quais o ministro russo dos Negócios Estrangeiros Sergey Lavrov se apresentou para uma declaração em vídeo, como protesto contra a invasão russa da Ucrânia.

Lavrov justificou a falta de comparência na Conferência sobre Desarmamento e no Conselho de Direitos Humanos, com o encerramento do espaço aéreo aos aviões russos por vários países europeus, impedindo a viagem à Suíça.

[Em atualização]