Intensos combates na Faixa de Gaza: ONU apela a cessar-fogo imediato

O socorro a uma criança atingida pela guerra entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza
O socorro a uma criança atingida pela guerra entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza Direitos de autor Fatima Shbair/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
De  Maria Barradas com Agências
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A ONU está a apelar a um cessar-fogo imediato, uma vez que não há lugar seguro para os civis. António Guterres utilizou, pela primeira vez, o artigo 99.

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Continua a intensa ofensiva aérea e terrestre de Israel na Faixa de Gaza. As forças israelitas estão a operar no coração da cidade de Khan Younis, onde os combates são casa a casa.

O Hamas estará a recorrer a bombas improvisadas para causar vítimas e abrandar o ataque.

O conflito, que provocou a deslocação de quase dois milhões de palestinianos, agrava diariamente as terríveis condições humanitárias do território.

A ONU está a apelar a um cessar-fogo imediato, uma vez que não há lugar seguro para os civis.

Os hospitais continuam a receber os feridos, mas estão sobrecarregados e muitas vezes só podem dar o tratamento mais básico a feridos graves.

O Ministério da Saúde de Gaza declarou que 1.207 palestinianos foram mortos desde o fim do cessar-fogo temporário, no início do mês, e que 70% dos mortos são mulheres e crianças. 

Com o número de mortos a aumentar, o abastecimento de alimentos a escassear e milhares de deslocados a ficarem destituídos de meios de sobrevivência, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, avisou que "a lei e a ordem em breve entrarão em colapso total" em Gaza.

António Guterres utilizou pela primeira vez no seu mandato um procedimento raro, o artigo 99 da Carta das Nações Unidas, que lhe permite "chamar a atenção" do Conselho de Segurança para uma questão que "possa pôr em perigo a manutenção da paz e da segurança internacionais". De acordo com vários diplomatas, o Conselho de Segurança deverá reunir-se na sexta-feira para analisar este recurso.

A decisão de Guterres provocou uma vez mais a reação imediata do chefe da diplomacia israelita. "O mandato de Guterres é um perigo para a paz mundial", retorquiu Eli Cohen, no X (antigo Twitter), argumentando que a ativação do artigo 99 e o apelo a um cessar-fogo "constituem um apoio à organização terrorista Hamas".

Segundo o Ministério da Saúde do Hamas, 16.248 pessoas, mais de 70% das quais mulheres, crianças e adolescentes, foram mortas desde 27 de outubro na Faixa de Gaza pelos bombardeamentos israelitas.

A operação militar israelita foi lançada como represália a um ataque sem precedentes levado a cabo a 7 de outubro por comandos do Hamas infiltrados a partir de Gaza, que, segundo as autoridades, matou 1200 pessoas em Israel, na sua maioria civis.

O gabinete de segurança de Israel concordou em autorizar a entrada na Faixa de Gaza de uma "adição mínima" de combustível "para evitar um colapso humanitário e o surto de doenças", mas sublinha que o Hamas trouxe a guerra para Gaza após o seu ataque transfronteiriço de 7 de outubro.

O anúncio, feito no X, antigo Twitter, pelo gabinete do primeiro-ministro, Bejamin Netanyahu, surge dois dias depois de o seu principal aliado, os Estados Unidos, ter apelado à entrada de mais combustível em Gaza.

De acordo com a ONU, 1,9 milhões de pessoas, ou seja, cerca de 85% da população, foram deslocadas pela guerra na Faixa de Gaza, onde mais de metade das casas foram destruídas ou danificadas pelos bombardeamentos israelitas.

A ONU calculou que 30% do território está atualmente sob ordens diárias de evacuação israelitas e considera "impossível" criar zonas seguras para acolher os civis que fogem dos combates.

A cidade de Rafah, na fronteira com o Egipto, é o único local onde a ajuda humanitária continua a ser distribuída, embora em quantidades limitadas, segundo a ONU. 

Na quarta-feira, 80 camiões com alimentos e combustível chegaram à cidade, contra uma média de 170 por dia durante a trégua em vigor de 24 a 30 de novembro e 500 antes de 7 de outubro, segundo o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas, na sua atualização diária.

Os peritos médicos receiam agora que as epidemias possam alastrar e que aumente a pressão para uma deslocação em massa para os países vizinhos.

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