Papa Francisco: Ucrânia deve ter a coragem de acenar com a 'bandeira branca'

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Numa entrevista à emissora suíça RSI, o Papa Francisco disse que, perante uma derrota, a Ucrânia deveria considerar sentar-se à mesa com a Rússia para realizar negociações de paz e negociar o fim da guerra. As declarações estão a gerar polémica.

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O Papa Francisco disse numa entrevista que caso a Ucrânia encare uma possível derrota, deve ter a coragem de negociar o fim da guerra com a Rússia e não ter vergonha de sentar-se na mesma mesa para iniciar negociações de paz.

O Papa fez seu apelo durante uma entrevista gravada no mês passado com a emissora suíça RSI, que foi parcialmente difundida no sábado.

"Acho que o mais forte é aquele que olha para a situação, pensa sobre o povo e tem a coragem de usar a bandeira branca, e negocia", disse Francis, acrescentando que as conversas devem ter lugar com a ajuda de potências internacionais.

A Ucrânia continua firme em não se envolver diretamente com a Rússia em negociações de paz, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, disse várias vezes que a iniciativa nas negociações de paz deve pertencer ao país que foi invadido.

A Rússia está a ganhar força no campo de batalha na guerra agora no terceiro ano e a Ucrânia está a ficar sem munições. Enquanto isso, alguns dos aliados da Ucrânia no Ocidente estão a aumentar a perspetiva de enviar tropas.

O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, disse no sábado que Francisco utilizou o termo "bandeira branca" depois de ter sido usado pelo entrevistador e emitiu uma declaração de esclarecimento depois da polémica que gerou comentários de que o Papa estava do lado da Rússia.

Ao longo da guerra, Francisco tentou manter a tradicional neutralidade diplomática do Vaticano, mas isso foi muitas vezes acompanhado por aparente simpatia com a lógica russa para invadir a Ucrânia, como quando ele observou que a NATO estava "à porta da Rússia" com sua expansão para o leste.

Francisco disse na entrevista à RSI que "a palavra negociar é uma palavra corajosa."

"Quando se vê que está derrotado, que as coisas não estão a correr bem, você tem que ter a coragem de negociar", disse. "As negociações nunca são uma rendição", acrescentou o líder da Igreja Católica.

O papa também lembrou às pessoas que alguns países ofereceram-se para atuar como mediadores no conflito.

"Hoje, por exemplo, na guerra na Ucrânia, há muitos que querem mediar", afirmou. "A Turquia ofereceu-se. E outros. Não tenham vergonha de negociar antes que as coisas piorem."

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan - cujo país membro da NATO procurou equilibrar as suas estreitas relações, tanto com a Ucrânia como com a Rússia - ofereceu durante uma visita de Zelenskyy para mediar uma confereência de paz entre os dois países.

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