Operação confirmada pela PJ à Euronews. Em comunicado, a fonte policial detalhou que "foram detidos 37 suspeitos com vastos antecedentes criminais e com ligações a grupos de ódio internacionais".
A Polícia Judiciária (PJ) desenvolveu, esta terça-feira, através da Unidade Nacional Contraterrorismo, uma megaoperação relacionada com a prática de crimes de ódio por parte de grupos de extrema-direita, confirmou à Euronews fonte oficial desta autoridade, na sequência de informação primeiramente avançada pela CNN Portugal.
Em comunicado publicado no seu site, a PJ detalhou que "foram detidos 37 suspeitos com vastos antecedentes criminais e com ligações a grupos de ódio internacionais", com idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos, no âmbito desta operação que "decorreu em todo o país".
O objetivo da operação "Irmandade" passava, segundo a autoridade, por "desmantelar uma organização criminosa responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas".
Os seus elementos, de acordo com a informação citada no mesmo comunicado, "adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos". Tudo com vista a "intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes".
Mais concretamente, de acordo com a CNN Portugal, pessoas provenientes de países islâmicos, algumas das quais terão sido alvo de agressões durante manifestações recentes no país.
A PJ acrescenta ainda que os "visados são suspeitos de terem fundado uma organização criminosa com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à discriminação, ao ódio e à violência racial, tudo isto no seio de uma estrutura hierárquica e fortemente estabelecida, com distribuição de funções".
Segundo a mesma estação televisiva, entre os visados por esta megaoperação da PJ estariam alegados elementos do grupo ultranacionalista 1143, liderado por Mário Machado, que no passado foi condenado pela prática de vários crimes, nomeadamente discriminação e incitamento ao ódio e à violência.
A CNN Portugal reporta ainda que este caso da PJ se debruçou sobre a difusão de conteúdos xenófobos e racistas por via das redes sociais - entre os quais mensagens - que culminariam em ações de rua nas quais acabam por ser ecoadas palavras de incitamento ao ódio contra a população imigrante.
No terreno, foram "realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias" e constituídos "mais 15 arguidos", no âmbito de uma iniciativa "que contou com cerca de 300 elementos de diversas unidades da PJ". A autoridade apreendeu ainda "um vasto material de propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema-direita violenta, nomeadamente neonazi, bem como armas diversas".
A investigação está a ser realizada em articulação com o DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal) de Lisboa. Os detidos serão presentes na quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, para um primeiro interrogatório judicial, momento em que ficarão a conhecer as medidas de coação a que ficaram sujeitos.
Tal como já reportado anteriormente pela Euronews, o Conselho da Europa, num relatório publicado em junho de 2025, apontava para uma tendência de crescimento no que concerne ao discurso de ódio em Portugal.
A Comissão Europeia Contra o Racismo e a Intolerância,que faz parte do Conselho, relatou a existência de “razões para a preocupação”, devido a um "aumento acentuado do discurso de ódio em Portugal, direcionado principalmente a migrantes, pessoas ciganas, LGBTI e pessoas negras”.