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Bardella convida Mélenchon para debate, à medida que candidatos começam a desistir

Jordan Bardella
Jordan Bardella Direitos de autor Louise Delmotte/Copyright 2024 The AP. All rights reserved.
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Depois de ganhar as eleições Jordan Bardella convidou Mélenchon para um debate. Isto numa altura em que há candidatos a desistir da segunda volta das legislativas em França, para combater a extrema-direita.

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Os franceses acordaram com um novo cenário político, depois de a extrema-direita ter vencido a primeira volta das eleições legislativas. O Rassemblement Nacional (RN) obteve cerca de um terço dos votos (33,15%) e provocou uma resposta da oposição, que tenta unir-se contra o partido de Marine le Pen e Jordan Bardella.

Como resposta, o RN está agora a dirigir todas as atenções para o líder de esquerda Jean-Luc Mélenchon, cuja coligação de esquerda (Nova Frente Popular, o NFP) ficou em segundo lugar nas eleições. À margem de uma reunião do partido, o candidato a primeiro-ministro do partido Jordan Bardella, desafiou Jean-Luc Mélenchon para um debate.

"Acho que os franceses precisam de clareza e que agora há dois caminhos que surgem para o país, ou a aliança da extrema-esquerda, agrupada atrás de Jean-Luc Mélenchon, que pelo menos teve a clareza de sair da ambiguidade na noite passada, ao declarar a sua candidatura ao cargo de primeiro-ministro no caso de uma vitória da extrema-esquerda no domingo. E depois a aliança que estou a liderar em torno do Rassemblement Nacional”, disse Bardella.

“Portanto, este é um momento de clarificação. Proponho a Jean-Luc Mélenchon um debate de projeto contra projeto entre aqueles que estão destinados a estar em coabitação", acrescentou.

Com estas declarações, Bardella está a excluir o partido de Emmanuel Macron, o Ensemble, que ficou em terceiro lugar na primeira volta das legislativas. O RN ganhou com 33,15% dos votos, a NFP de M+elenchon  teve 27,99%, o Ensemble de Macron não ultrapassou os 20,83% e o Les Républicains, de direita, ficou pelos 6,57%.

48 horas decisivas

Os jornais falam de 48 horas de todas as decisões, com a possível formação de uma “frente republicana”. Isto depois de a coligação Ensemble e a NFP terem indicado que iam retirar os candidatos em terceiro lugar, para dar mais hipóteses de derrotar a extrema-direita. Segundo o Le Monde, mais de 170 candidatos já tinham desistido até às seis da tarde, desta segunda-feira.

Mas esta estratégia não é confortável para todos. É que no Ensemble nem todos estão dispostos a apoiar os candidatos da França Insubmissa, o partido de Mélenchon que faz parte da coligação de esquerda.

“Luto contra o Rassemblement Nacional, mas não voto na França Insubmissa”, disse o ministro da Economia e das Finanças, Bruno le Maire, ao mesmo tempo que garantia estar empoenhado que a extrema-direita não vença a segunda volta. “Não voto no França Insubmissa porque assumiu posições que são contra a nação francesa."

Le Maire fez estas declarações numa entrevista à rádio France Inter, onde também assumiu a derrota do partido do Governo do presidente Emmanuel Macron.

“É uma derrota. É uma derrota para a nossa maioria (presidencial), uma derrota para o nosso campo (político). É um momento histórico de reconfiguração das forças políticas no nosso país e isso deixa-me muito triste.”

Inquietação entre os franceses

Nas ruas de Paris, alguns franceses mostraram-se desiludidos com o resultado e inquietos com a segunda volta. Há quem vá votar em candidatos em que não se revê, apenas para derrotar o RN.

“Em ambos os casos, é realmente a peste ou a cólera. Não há melhor entre os dois. Portanto, aqui estamos, desiludidos, e não sabemos para onde vamos", disse Caroline Beaulieu, 38 anos.

Alguns parisienses também criticam a decisão do presidente do país, Emmanuel Macron, de convocar eleições antecipadas.

"Acho que o Presidente da República deveria ter pelo menos ter esperado uns 40 dias. Porque se nos precipitarmos numa eleição, se quisermos desestabilizar as pessoas, corremos o risco de acabar com uma assembleia ingovernável, que não podemos dissolver durante um ano”, disse Jean Christophe Nony, de 59 anos. “Portanto, esta pressa sem campanha é tudo da responsabilidade de Emmanuel Macron."

As sondagens indicam que o RN vai ter o maior número de assentos na próxima Assembleia Nacional. Mas não está claro se vai conseguir uma maioria absoluta , ou seja, 289 dos 577 lugares.

Os resultados só vão ser conhecidos no próximo domingo, quando se realizar a segunda volta destas eleições legislativas. Apenas os candidatos que obtiveram mais de 50% dos votos nos respetivos círculos já garantiram o lugar e não vão a esta segunda volta.

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