Em entrevista ao programa matinal da Euronews, Europe Today, o chefe da delegação do PE para as relações com os EUA afirmou que as soluções diplomáticas para evitar uma guerra comercial "têm de ser utilizadas até ao fim".
Brando Benifei, eurodeputado e chefe da delegação do Parlamento Europeu para as relações com os Estados Unidos, disse ao programa matinal Europe Today, da Euronews, que não espera que a votação sobre o acordo comercial entre a UE e os EUA, prevista para a próxima semana, avance.
"Inevitavelmente, a votação que estava prevista para a próxima semana na comissão de comércio do Parlamento Europeu, para avançar com o acordo, será congelada", disse Benifei à Euronews. "Estou certo de que este será o resultado".
No sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor novas tarifas a oito países europeus que não apoiam os seus planos de anexar a Gronelândia. Em seguida, deixou a aliança da NATO a cambalear com uma carta dirigida ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, na qual afirmava que "já não (sentia) a obrigação de pensar puramente na paz" quando se tratava de tomar o território dinamarquês.
Depois de uma reunião de emergência dos embaixadores em Bruxelas, no domingo, várias fontes disseram à Euronews que os Estados-membros estão a dar prioridade à diplomacia e ao diálogo com os EUA, mas Benifei insistiu que deveria haver "um prazo claro" para estabelecer a situação das relações entre Bruxelas e Washington.
"Se dentro de algumas semanas não houver clareza e um acordo sobre o futuro da Gronelândia, penso que temos de deixar claro que há medidas que serão ativadas", disse Benifei à Euronews.
Uma dessas medidas poderia ser o instrumento anti-coerção (ACI), uma ferramenta adotada em 2023 que até agora nunca foi utilizada. Este instrumento permitiria ao bloco punir países hostis por "chantagem económica".
Benifei afirmou que a diplomacia "deve ser utilizada até ao fim", mas que "tem de haver um fim".
"O problema da Europa é que a tentativa de encontrar uma solução diplomática, às vezes, parece não ter fim. E isso beneficia, neste caso, os EUA, que pensam que não somos credíveis". Benfei espera que os homólogos norte-americanos intervenham e espera que "muitas mais vozes no Congresso dos EUA se levantem para dizer que a loucura tem de acabar e que temos de nos sentar e trabalhar em conjunto como aliados".