O ex-ministro das Finanças grego e economista disse ao programa matinal da Euronews, Europe Today, que a UE está presa entre a federação e a dissolução, culpando os fracos pilares fiscais e de investimento pela desintegração da Europa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está a produzir frases vazias, afirmou o ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis, argumentando que a Europa deve escolher entre a federalização ou a dissolução.
“Temos duas opções – estamos numa encruzilhada. Podemos avançar na direção da federação ou podemos dissolver o euro”, afirmou Varoufakis ao programa Europe Today da Euronews na quinta-feira.
O economista afirmou que os líderes da União Europeia não estavam a escolher nenhuma das opções e estavam a “cair no vazio entre elas”.
Varoufakis atribuiu os problemas da Europa a uma união monetária sem estruturas fiscais e de investimento, alegando que o continente tem sido privado de investimentos há duas décadas.
“Temos dinheiro federal e essa é a nossa tragédia. Temos um grande banco central, um banco central monolítico, e temos 20 tesouros que não podem realmente contar com ele”, disse Varoufakis.
Afirmou, ainda, que os líderes da UE “falham espetacularmente em falar sobre a única coisa que deveriam estar a discutir” em relação aos títulos europeus — quem emitiria a dívida.
Intensifica-se o debate sobre os Eurobonds
Os seus comentários surgiram no momento em que os líderes da UE se reúnem na quinta-feira no castelo de Alden Biesen, na Bélgica, para uma cimeira informal sobre competitividade, com os títulos europeus a emergirem como uma linha divisória fundamental.
O presidente francês, Emmanuel Macron, apelou esta semana a “títulos europeus orientados para o futuro” para financiar projetos estratégicos, afirmando que os mercados globais estavam à procura de alternativas ao dólar americano.
Espera-se que o chanceler alemão Friedrich Merz e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni apresentem uma doutrina económica conjunta focada na desregulamentação, enquanto os Países Baixos, os países nórdicos e os Estados Bálticos se opõem às preferências de “Comprar Europeu”, que consideram protecionismo.
Os ex-primeiros-ministros italianos Mario Draghi e Enrico Letta participaram nas discussões de quinta-feira para compartilhar perspetivas sobre a competitividade europeia.
A cimeira informal tem como objetivo elaborar propostas para uma reunião formal dos líderes da UE no final de março.