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UE procura parcerias "mais profundas e mais fortes" com os Estados do Golfo, diz António Costa à Euronews em Doha

O Emir do Qatar, Xeque Tamim bin Hamad Al Thani, encontra-se com o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, no Amiri Diwan, em Doha.
O Emir do Qatar, Xeque Tamim bin Hamad Al Thani, encontra-se com o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, no Amiri Diwan, em Doha. Direitos de autor  QNA
Direitos de autor QNA
De Peter Barabas & Aadel Haleem
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Na visita de mais alto nível da UE ao Golfo desde o início da guerra com o Irão, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, reforçou as parcerias estratégicas da UE com os Estados do Golfo e insistiu na reabertura do Estreito de Ormuz, alertando para as "consequências desastrosas".

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, apelou a um compromisso "mais profundo e mais forte" entre o bloco de 27 membros e os Estados do Golfo, ao concluir a sua visita à Arábia Saudita, aos Emirados Árabes Unidos e ao Qatar, em Doha, na quarta-feira, "num momento crítico no contexto de um frágil cessar-fogo e de ataques injustificáveis do Irão".

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Os Emirados Árabes Unidos e o Qatar têm saudado repetidamente o papel da UE na defesa e apoio ao Golfo durante a ofensiva do Irão, tendo o Qatar afirmado que "este é o momento em que sabemos quem são os nossos amigos".

A visita de Costa marca o início de um novo capítulo de envolvimento entre a Europa e o Golfo, numa altura em que todo o cenário do Médio Oriente está a ser alterado pela guerra no Irão.

Em resposta à Euronews, o presidente do Conselho Europeu afirmou que os líderes do Golfo lhe disseram que "mais do que nunca, é importante que a União Europeia e os países do Golfo possam trabalhar em conjunto", acrescentando que "a UE está interessada em fazê-lo".

"Estamos a negociar acordos de comércio livre com alguns deles, existe uma parceria com outros e estamos a falar com todos eles", disse Costa à Euronews.

Costa sublinhou ainda a trajetória reforçada da UE em direção a novas parcerias no Golfo, moldada pela resposta política e militar da Europa à guerra do Irão, com os caças europeus e outras capacidades militares destacadas para defender os Estados do Golfo contra os ataques iranianos.

Costa agradeceu também aos Estados do Golfo pela sua preocupação com os cidadãos europeus que vivem na região.

Disse ainda à Euronews que a UE vai realizar uma segunda cimeira com o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) na região até ao final do ano, procurando "identificar, construir e ter resultados concretos", porque "mais do que nunca, é muito importante que o consigamos".

"Estamos aqui para apoiar a estabilidade e a segurança da região", afirmou Costa em Doha, no final da sua visita, sublinhando que "os países do Golfo podem contar com a União Europeia agora e no futuro" e que a "União Europeia é um parceiro fiável e previsível para o Golfo".

Cessar-fogo estável e liberdade de navegação

O presidente do Conselho da UE disse que o objetivo da sua visita era também "ouvir os líderes do Golfo e oferecer o apoio da UE a duas prioridades", que são garantir um cessar-fogo estável e assegurar a reabertura das rotas marítimas.

A primeira prioridade de Costa nas suas conversações com os líderes do Golfo foi "trabalhar para um cessar-fogo estável e duradouro que possa abrir caminho a uma paz sustentável na região".

"É essencial que todas as partes aproveitem a dinâmica criada pelo recente cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão, mediado pelo Paquistão", afirmou.

A segunda prioridade é "restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, que é crucial e urgente", segundo o chefe do Conselho.

"O Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho são artérias vitais para a economia global, para as cadeias de abastecimento e para o comércio mundial, e esta guerra já teve consequências desastrosas que estão a ser sentidas em todo o mundo e que só vão piorar a cada dia que passa sem uma solução para este conflito", alertou Costa.

"A Europa está empenhada em ajudar a garantir a passagem segura e desimpedida dos navios, que é o objetivo da coligação de países que a França e o Reino Unido estão a reunir com parceiros de todo o mundo".

O presidente do Conselho salientou que os desafios à paz são colocados pelo programa nuclear do Irão, mas também pelo seu programa de mísseis balísticos, bem como pelo seu apoio a representantes que desestabilizam a região, juntamente com o bloqueio das rotas marítimas internacionais.

"Esta guerra já teve consequências desastrosas que estão a ser sentidas em todo o mundo e que só vão piorar sem uma solução", afirmou Costa.

Dirigindo-se aos meios de comunicação social em Doha, Costa saudou o papel do Qatar como "um mediador honesto para a paz e a estabilidade na região, comprovado durante a guerra em Gaza".

A UE conta com o Qatar para prosseguir os seus esforços no sentido de estabilizar o cessar-fogo, enquanto Doha saudou repetidamente aquilo a que chama a "parceria estratégica" do Qatar com a UE, disse Costa.

O presidente do Conselho Europeu manteve conversações com o emir do Qatar, o xeque Tamim bin Hamad Al Thani, na quarta-feira, tendo também abordado a guerra em Gaza e a crise no Líbano.

A estabilidade dos mercados energéticos mundiais e das rotas marítimas vitais para o transporte de energia foram aspetos fundamentais das conversações, segundo a agência noticiosa estatal do Qatar, e as discussões entre os dois líderes centraram-se na energia, no comércio e no investimento, no âmbito da parceria estratégica Qatar-UE.

As conversações entre Israel e o Líbano devem prosseguir "a bem do povo"

Paralelamente, o presidente do Conselho Europeu elogiou o presidente libanês, Joseph Aoun, por aquilo a que chamou a "decisão histórica de proibir as atividades militares do Hezbollah", que representa "uma ameaça existencial para o Líbano e um fator de desestabilização para a paz e a segurança internacionais".

"A União Europeia continuará a apoiar o Líbano, capacitando as autoridades para desarmar o Hezbollah, uma vez que esta é a única solução sustentável para restaurar a estabilidade internacional do Líbano", afirmou Costa.

O presidente do Conselho apelou ainda à prossecução das conversações entre Israel e o Líbano, "para garantir a soberania do Líbano (...) a bem do povo e na perspetiva da paz".

Costa concluiu a sua visita ao Golfo com um apelo: "Nestes tempos difíceis, temos de defender a ordem internacional baseada em regras, porque a alternativa é o caos".

"Foi o que vimos na Ucrânia, é o que estamos a ver aqui no Golfo e no Irão", concluiu Costa.

A visita de Costa ocorre após o intenso envolvimento do enviado especial da UE, Luigi Di Maio, e dos diplomatas da UE no Golfo, especialmente durante a guerra do Irão.

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