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Quem irá suceder a Jens Stoltenberg na NATO?

Jens Stoltenberg
Jens Stoltenberg Direitos de autor Virginia Mayo/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved
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De  Euronews
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O norueguês tem frisado que não pretende prolongar o mandato, mas tudo indica que será forçado a tal. No entanto, a menos de um mês da cimeira da Aliança Atlântica, perfilam-se os nomes para a sucessão.

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Desde 1 de outubro de 2014, é ele o rosto da NATO: o antigo primeiro-ministro norueguês Jens Stoltenberg. Mas, durante mais de dois anos, a questão do seu sucessor tem sido discutida nos bastidores. O próprio Stoltenberg tinha anunciado a sua retirada do cargo de secretário-geral da NATO para o final de 2022, porque queria passar a dirigir o Banco Central norueguês.

Mas a aliança militar transatlântica pediu a Stoltenberg, de 64 anos, que se mantivesse no cargo, com o objetivo de se concentrar na estabilidade, especialmente desde o início da invasão total da Ucrânia pela Rússia. Stoltenberg aceitou prolongar o seu mandato pela terceira vez.

Mesmo se o líder da NATO já deixou claro que a renovação do mandato está fora de questão, é improvável que a cimeira de Vílnius, a 11 e 12 de julho, sirva para apontar um sucessor e o norueguês deverá continuar a comandar a organização durante mais algum tempo, nomeadamente por pressão dos EUA.

Jamie Shea, antigo secretário-geral adjunto para os Desafios de Segurança Emergentes da NATO e membro do grupo de reflexão Chatham House, duvida que Stoltenberg possa ser convencido a cumprir mais um mandato:

"Ele tem sido claro ao afirmar que o seu tempo termina a 30 de setembro e que tenciona demitir-se. Foi prorrogado três vezes, o que é único para um secretário-geral da NATO, pelo menos nos tempos modernos", diz.

Como é que o futuro secretário-geral é selecionado e que qualificações deve ter?

Parece certo que o rosto da aliança militar deve ter peso político e experiência no governo. Competências diplomáticas, boa comunicação e capacidade de gestão são qualidades que um potencial candidato deve ter, como confirma Shea: "A NATO é uma família de 31 países democráticos, que têm os seus interesses. Nem sempre estão de acordo em tudo, nem concordam com tudo. Por isso, a orquestra não toca sozinha. É preciso um bom maestro para manter a orquestra a tocar harmoniosamente e, por isso, é preciso um bom diplomata".

A orquestra não toca sozinha. É preciso um bom maestro para manter a orquestra a tocar harmoniosamente e, por isso, é preciso um bom diplomata
Jamie Shea
Ex-secretário-geral-adjunto da NATO

"A segunda coisa é que precisamos de um bom comunicador que saiba responder às perguntas que o público coloca: Qual o porquê da NATO hoje em dia? Porquê todos os gastos adicionais com a defesa, quando existem tantas outras prioridades económicas que os Estados-Membros podem ter de enfrentar? Porque é que devemos continuar a ajudar a Ucrânia com tanto dinheiro e material? A comunicação é importante", acrescenta.

"E, em terceiro lugar, é necessário um bom gestor, um bom administrador. É uma grande burocracia. Não é exatamente do tamanho das Nações Unidas ou da União Europeia, mas mesmo assim implica um grande número de funcionários internacionais e de militares internacionais. Há muitas agências. Há muitos gabinetes da NATO nos diferentes Estados-Membros. E é preciso garantir que essa burocracia trabalha, cumpre e implementa as decisões que os chefes de Estado da NATO tomam nas cimeiras periódicas", diz ainda Jamie Shea.

Quais os principais candidatos à sucessão?

O nome da Primeira-ministro da Estónia, Kaja Kallas, surge repetidamente, tal como o de Zuzana Čaputová, presidente da Eslováquia. Muitos também veem a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como uma candidata adequada. Então, será que chegou a altura de um rosto feminino na NATO?

Olivier Matthys/AP
Kaja KallasOlivier Matthys/AP

"Eu seria a primeira pessoa a acolher com entusiasmo um rosto feminino no topo da aliança, para mostrar que a NATO é agora uma organização moderna do século XXI. Mas, claro, isso depende das candidatas bem qualificadas que se candidatarem", diz Shea.

Eu seria a primeira pessoa a acolher com entusiasmo um rosto feminino no topo da aliança.
Jamie Shea
Ex-secretário-geral-adjunto da NATO

Também ainda não houve um candidato da Europa de leste, apesar de muitos países destas regiões serem membros da NATO há muito tempo:

"Certamente, mais cedo ou mais tarde, penso que o Mediterrâneo dirá que chegou a nossa hora. Mas também se pode argumentar que ainda não houve um secretário-geral da Europa Central e Oriental, apesar de estes países, como a Polónia, a República Checa e a Roménia, pertencerem à NATO, bem como os Estados bálticos, há muitos anos", acrescenta o especialista.

No entanto, é provável que os EUA tenham uma voz poderosa na decisão sobre o pessoal, pois nenhuma decisão é tomada contra a vontade dos Estados Unidos. A recente viagem da primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen a Washington alimentou a especulação de que as conversações com o Presidente dos EUA, Joe Biden, também diziam respeito ao cargo de secretário-geral da NATO. Frederiksen negou este facto nos meios de comunicação dinamarqueses

Susan Walsh/AP
Mette Frederiksen com Joe BidenSusan Walsh/AP

O que torna o processo ainda mais difícil é o facto de ter de ser encontrado um consenso sobre um candidato adequado para suceder a Stoltenberg - uma tarefa nada fácil para os Estados-membros, que são 31 desde a adesão da Finlândia

Shea está confiante de que será encontrado um nome: "Há muitos e muitos talentos por aí, muitos candidatos potenciais. Portanto, não há razão para que a NATO não possa ter uma transição ordenada. E penso que é do interesse da NATO ter essa transição ordenada", conclui.

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