Havai: Os incêndios mais mortíferos nos EUA em mais de um século

Rescaldo dos incêndios de Maui, no Havai
Rescaldo dos incêndios de Maui, no Havai Direitos de autor PATRICK T. FALLON/AFP or licensors
De  Maria Barradas com AP
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A receberem ajuda para sobreviverem, aqueles que perderam tudo temem agora não conseguirem voltar às zonas em que viviam, devido à especulação imobiliária.

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Com o número de mortos a atingir os 96 no domingo, os incêndios florestais no Havai são agora os mais mortíferos nos EUA em mais de um século.

Muitas organizações e indivíduos prestam ajuda - tanto financeira como direta - aos cidadãos que perderam praticamente tudo, exceto a vida. 

O exército americano está a coordenar os esforços humanitários nas zonas afetadas. Muitos havaianos residem em campos temporários. Centenas de pessoas continuam desaparecidas. As pessoas procuram desesperadamente os seus amigos e familiares perdidos.

Ao mesmo tempo, as autoridades bloquearam novamente o acesso dos habitantes locais à devastada Lahaina, impedindo também o fluxo de ajuda - apesar de os turistas serem autorizados a visitar os hotéis para recolher os seus pertences.

Críticas às autoridades

O governo e as agências do Estado estão a ser criticados pela forma como (não) geriram a catástrofe e, evidentemente, todos se questionam por que razão a catástrofe foi de tal magnitude, como se as autoridades responsáveis não estivessem totalmente preparadas.

Foi instaurado um processo contra uma empresa de eletricidade local em Maui, que alegadamente não cortou a corrente através das suas linhas elétricas, mesmo depois de muitos postes eléctricos terem caído. Não é referido diretamente no processo, mas os curtos-circuitos provocados por esse facto são vistos como uma das possíveis razões pelas quais os incêndios se tornaram tão grandes.

O governador do Havai, Josh Green, apela a que se aproveite o tempo para ajudar as pessoas, reconstruir e reparar os danos e deixar que as agências competentes façam a investigação. 

"Com o tempo, vamos poder perceber se podíamos ter protegido melhor as pessoas. É por isso que estamos a rever tudo. E queremos fazer isso de uma forma muito aberta e transparente. Mas foi complicado pelo facto de ter havido vários incêndios nesta bela ilha ao mesmo tempo", afirmou.

O presidente Joe Biden disse este domingo que estava a "estudar" a possibilidade de visitar a ilha, mas para o governador Green isso é uma preocução acrescida já que o presidente dos EUA viaja normalmente com uma grande equipa, o que causaria "complicações" nos locais afetados pelo incêndio.

Residentes receiam perder o "direito" de voltar a Lahaina

Para além terem de reconstruir as suas vidas a partir do zero, milhares de residente em Lahaina têm uma preocupação acrescida: o receio de que uma cidade reconstruída em Maui possa cair nas mãos de forasteiros abastados.

Uma falta crónica de habitação e um afluxo de compradores de segundas habitações e de transplantados ricos têm vindo a deslocar residentes e nativos da ilha, que dão a Lahaina o seu espírito e identidade.

O incêndio florestal de rápida propagação que incinerou grande parte da compacta povoação costeira, multiplicou as preocupações de que quaisquer casas ali reconstruídas sejam destinadas a estrangeiros abastados que procuram um refúgio tropical. 

Isso iria aumentar o que já é um dos maiores e mais graves desafios do Havai: o êxodo e a deslocação dos nativos havaianos e dos residentes locais que já não têm dinheiro para viver na sua terra natal.

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