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Líder do Hamas revela segredos da "Operação Tempestade Al-Aqsa"

Ali Barakeh, um dos líderes exilados do Hamas, concedeu entrevista em Beirute, no Líbano
Ali Barakeh, um dos líderes exilados do Hamas, concedeu entrevista em Beirute, no Líbano Direitos de autor AP Photo/Hussein Malla
Direitos de autor AP Photo/Hussein Malla
De  Francisco Marques com Associated Press
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Ali Barakeh está exilado no Líbano e foi dali que explicou como foi preparada a invasão de Israel e porquê, deixando um aviso

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Foi uma ofensiva secreta até dentro do próprio Hamas. Um alto responsável do grupo armado palestiniano levantou um pouco do véu sobre a agressiva invasão de Israel, do passado sábado, que, entretanto, já ultrapassou oficialmente os 1.500 mortos de ambos os lados e terá feito alegadamente cerca de 150 reféns.

Em entrevista à Associated Press, concedida em Beirute, no Líbano, onde está exilado, Ali Barakeh negou o envolvimento do Irão e do Hezbolah na denominada "Operação Tempestade Al-Aqsa", e garantiu que apenas um pequeno grupo de comandantes do Hamas estava a par da ofensiva.

"A hora zero não era do conhecimento de mais do que um punhado de pessoas. Escolhemos o momento certo, em que o inimigo estava ocupado com os respetivos dias festivos. Ninguém do Hamas estava em Beirute na segunda-feira da semana passada. Ninguém do comando central nem do gabinete político esteve lá antes da operação", assegurou Ali Barakeh, procurando comprovar o alheamento dos aliados nesta fase do conflito.

Reféns para a troca

O membro exilado da liderança do Hamas diz que as mais de 100 pessoas raptadas pelo grupo vão ser usadas como moeda de troca de palestinianos presos em Israel e até de alguns detidos nos Estados Unidos.

"Eles foram detidos na América porque porque foram acusados de gerirem organizações de caridade, que apoiavam as pessoas bloqueadas em Gaza e ajudavam órfãos em Gaza. A América deteve e condenou estas pessoas a pedido de Israel. Foram condenados à prisão perpétua na América. Vamos pedir a libertação desses palestinianos. É nosso direito exigir a liberdade deles", sublinhou Barakeh.

Perante uma iminente contraofensiva de Israel, com uma invasão militar pelo solo na Faixa de Gaza, Ali Barakeh lembrou que os aliados ainda não estão envolvidos, mas avisou que tanto o Hezbolah como o Irão poderão vir a intervir no conflito se a Faixa de Gaza estiver ameaçada de "aniquilação" e tal como já ajudaram o Hamas no passado.

O oficial admite que o próprio grupo palestiniano ficou admirado com a facilidade com que conseguiu entrar e avançar por Israel e garante que o Hamas ainda só usou uma pequena parte dos recursos que possui, referindo-se à utilização de um contingente de dois mil homens de um exército com 40 mil só na Faixa de Gaza.

Razões da ofensiva

Sobre os motivos da "Operação Tempestade Al-Aqsa", Barakeh negou que tivesse sido inflamada pela normalização em curso das relações entre Israel e a Arábia Saudita, numa aproximação mediada pelos Estados Unidos, e limitou-se a justifica-la com um leque de iniciativas do atual governo ultranacionalista liderado pelo controverso Benjamin Netanyahu.

Entre essas ações estão incursões israelitas consideradas "provocadoras" na mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local sagrado do Islão, e também a retenção de milhares de palestinianos na prisão sem qualquer acusação nem julgamento.

Ali Barakeh também referiu a forte convicção do Hamas de que Israel estaria a planear assassinar os líderes do grupo palestiniano.

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