Número de jornalistas mortos em missão é o mais baixo desde 2002

Issam Abdallah, morto no sul do Líbano a 13 de outubro deste ano
Issam Abdallah, morto no sul do Líbano a 13 de outubro deste ano Direitos de autor Bilal Hussein/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
De  Ricardo Figueira
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Apesar do conflito na Faixa de Gaza, o mundo parece estar mais seguro para a profissão de jornalista, diz o mais recente relatório dos Repórteres sem Fronteiras (RSF).

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O mundo parece estar mais seguro para os jornalistas, segundo as conclusões da principal ONG que monitoriza os perigos para esta profissão. Apesar da eclosão do recente conflito no Médio Oriente, o número de jornalistas mortos no exercício da profissão desceu para o nível mais baixo desde 2002. Segundo o relatório anual dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), 45 profissionais da comunicação social perderam a vida em 2023, menos 16 que o número registado em 2022.

Desses, 17 estavam a cobrir a guerra de Israel contra o Hamas. O número inclui os que foram apanhados no bombardeamento de um grupo de jornalistas no Sul do Líbano, no qual morreu uma pessoa. A RSF nota que pelo menos 13 jornalistas morreram na Faixa de Gaza desde o início do conflito, o que é um número muito elevado tendo em conta a pequena dimensão do território. O número sobe para 56, se contarmos o número de jornalistas mortos sem que isso tenha tido uma ligação com a profissão que exercem.

Maior segurança

O relatório da RSF mostra que a taxa de vítimas estabilizou nos últimos anos. Este declínio é explicado em grande parte pelo aumento da segurança dos jornalistas que trabalham na Síria e no Iraque desde 2013.

Também se registou uma grande queda nas mortes na América Latina, passando de 26 no ano passado para seis em 2023. No entanto, a região continua a ser perigosa, com ataques armados e raptos, uma ameaça constante para os membros dos meios de comunicação social em alguns países, especialmente no México.

Principais conclusões

Eis algumas das conclusões mais importantes a tirar deste relatório:

  • Uma diminuição global do número de jornalistas mortos no exercício da sua atividade ou por causa dela.
  • Uma diminuição significativa do número de jornalistas mortos no exercício da sua atividade na América Latina. Apesar disso, a RSF nota que esta continua a ser uma região do globo perigosa para a profissão, dando como exemplo a recente onda de raptos e ataques armados no México.
  • As zonas me conflito são mais mortíferas do que países pacíficos para os jornalistas. Este ano, 23 jornalistas foram mortos no exercício da sua atividade em zonas de conflito, a esmagadora maioria dos quais (17) no conflito entre Israel e o Hamas.
  • 521 jornalistas estão detidos em todo o mundo. A Bielorrússia chega ao Top 3 dos países que mais aprisionam jornalistas, juntamente com a China e Myanmar.
  • 54 jornalistas em todo o mundo estão feitos reféns à data de publicação deste relatório

. Dos sete raptados este

ano, dois jornalistas ainda estão em cativeiro.

  • 84 jornalistas estão dados como desaparecidos: quase um em cada três jornalistas desaparecidos é mexicano.

 

O México continua a ser o país com mais jornalistas desaparecidos no mundo, 

31 num total de 84.

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