Putin volta a dizer que pode usar armas nucleares e anuncia tropas russas na fronteira finlandesa

Presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Presidente da Rússia, Vladimir Putin. Direitos de autor AP Photo
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Em entrevista à televisão e agência noticiosa estatais da Rússia, Putin disse esperar que os Estados Unidos não provoquem um conflito nuclear e mostrou-se confiante de que os objetivos na Ucrânia serão atingidos.

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Vladimir Putin voltou a afirmar que a Rússia está pronta a utilizar armas nucleares se houver uma ameaça à sua condição de Estado, soberania ou independência, manifestando a esperança de que os Estados Unidos se abstenham de ações que possam desencadear um conflito nuclear.

Em entrevista à televisão estatal russa divulgada na madrugada de quarta-feira, Putin reiterou que as forças nucleares russas estão em plena prontidão  "do ponto de vista técnico-militar". 

A declaração de Putin foi mais um aviso direto ao Ocidente, antes de uma semana em que é quase certo que ganhará mais um mandato de seis anos na presidência da Rússia.

O líder russo tem falado repetidamente sobre a possibilidade de utilizar armas nucleares desde que lançou a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. A mais recente ameaça tinha sido feita no discurso sobre o estado da nação, no final do mês passado.

Na entrevista agora divulgada, Putin descreveu o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, como um político veterano que compreende perfeitamente os possíveis perigos de uma escalada do conflito, e disse não acreditar que o mundo esteja a caminhar para uma guerra nuclear.

Questionado sobre se alguma vez pensou utilizar armas nucleares no campo de batalha na Ucrânia, Putin respondeu que não viu necessidade de o fazer.

Tropas russas na fronteira com a Finlândia

 Quase um ano após a adesão da Finlândia à NATO, Vladimir Putin anunciou que vai mobilizar tropas russas para a fronteira com o país nórdico, considerando que a entrada dos finlandeses e, mais recentemente, dos suecos na Aliança Atlântica foi um "passo absolutamente insignificante do ponto de vista da garantia dos seus próprios interesses nacionais".

"Nós não tínhamos tropas lá (na fronteira finlandesa), agora elas estarão lá. Não havia lá sistemas de destruição, agora vão aparecer", adiantou.

A promessa de Putin surge após vários meses de tensões fronteiriças entre a Finlândia e a Rússia.

Rússia "não terá linhas vermelhas" se não for respeitada

O presidente russo mostou-se confiante de que Moscovo conseguirá atingir os seus objetivos na Ucrânia e lançou um aviso direto aos aliados ocidentais: "As nações que dizem não ter linhas vermelhas em relação à Rússia devem perceber que a Rússia também não terá linhas vermelhas em relação a elas".

Putin manteve a porta aberta a conversações, mas ressaltou que a Rússia conservará as conquistas obtidas na Ucrânia até agora e procurará obter garantias firmes do Ocidente.

"Não deve ser uma pausa para o inimigo se rearmar, mas sim uma conversa séria que envolva garantias de segurança para a Federação Russa", sublinhou.

Putin afirmou que o recente aumento dos ataques ucranianos com drones contra a Rússia faz parte de uma campanha que visa sabotar as eleições presidenciais russas, que começam na sexta-feira e duram três dias. 

O Ministério da Defesa da Rússia informou que as defesas aéreas do país abateram 58 drones em seis regiões só esta quarta-feira.

Seis mortos em mais ataques russos na Ucrânia

Um ataque russo matou duas pessoas e feriu outras cinco na cidade de Myrnohrad, na região oriental de Donetsk, a cerca de 30 quilómetros da linha da frente, de acordo com o governador local, Vadym Filashkin. 

As equipas de resgate conseguiram retirar uma rapariga de 13 anos dos escombros de um edifício de apartamentos que foi atingido por um míssil russo.

Também um edifício de cinco andares na cidade de Sumy, no nordeste da Ucrânia, foi atingido por um drone lançado da Rússia durante a noite e dez pessoas foram resgatadas dos escombros, incluindo oito que sofreram ferimentos, de acordo com a administração regional.

Em Kryvyi Rih, cidade natal do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, na região central de Dnipropetrovsk, quatro pessoas foram mortas na terça-feira na sequência de um ataque com mísseis russos, de acordo com o governador Serhii Lysak. 

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Há registo de 43 feridos, incluindo 12 crianças, sendo que a mais nova tem dois anos.

"Todos os dias as nossas cidades e aldeias sofrem ataques semelhantes. Todos os dias a Ucrânia perde pessoas por causa da maldade russa", afirmou Zelenskyy.

O presidente ucraniano adiantou que as operações de busca "continuarão enquanto forem necessárias".

"Em resposta, iremos infligir perdas ao Estado russo - com toda a razão. O Kremlin tem de aprender que o terror não fica impune para eles", prometeu Zelenskyy.

A cidade de Kryvyi Rih tem sido frequentemente alvo das forças russas desde o início do conflito.

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