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2024: Cinco eleições que vão ter impacto na União Europeia

Apoiantes agitam bandeiras europeias em Berlim, Alemanha.
Apoiantes agitam bandeiras europeias em Berlim, Alemanha. Direitos de autor Markus Schreiber/Copyright 2017 The AP. All rights reserved.
Direitos de autor Markus Schreiber/Copyright 2017 The AP. All rights reserved.
De  Mared Gwyn Jones
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Artigo publicado originalmente em inglês

Estima-se que dois mil milhões de pessoas, em 50 países do mundo, poderão ir às urnas em 2024, mais do que em qualquer outro ano da história.

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A maior eleição transfronteiriça do mundo, decorrerá em junho, quando se espera que mais de 400 milhões de pessoas votem nas eleições europeias, elegendo diretamente os membros do Parlamento Europeu.

Eleições "de alto risco" em países populosos, tais como os EUA, a Índia e a Indonésia, bem comp em Estados autocráticos, tais como a Bielorrússia, o Irão e a Rússia, podserão moldar a geopolítica e economia europeias. O mesmo se pode dizer de aliados estratégicos, tais como Taiwan e o Reino Unido.

Estas eleições, dentro e fora das fronteiras da Europa, têm o potencial de afetar profundamente o continente.

As potenciais mudanças de governo podem fazer pender, decisivamente, o equilíbrio geopolítico, afetando o apoio ocidental à Ucrânia, o conflito no Médio Oriente, as relações comerciais e a economia global interligada.

As eleições também irão testar a resiliência das democracias mundiais, num contexto de receio de retrocesso democrático e aumento de regimes autoritários de linha dura.

A Euronews analisa as eleições de 2024 que irão moldar a Europa.

1. Eleições presidenciais nos Estados Unidos da América - 5 de novembro

O espetro do regresso do candidato republicano Donald Trump à Casa Branca faz de 2024 um ano potencialmente explosivo para a política mundial e os riscos são elevados para a Europa.

Mas a candidatura de Trump à presidência pode ter acabado antes de começar. O Supremo Tribunal do Colorado decidiu que Trump não pode concorrer no estado devido à sua intervenção no ataque ao Capitólio, em janeiro de 2021.

Trump tem uma confortável vantagem sobre os rivais republicanos, pelo que poderia ganhar sem se candidatar no Colorado - mas a decisão abre um forte precedente para processos judiciais semelhantes que poderiam proibi-lo de competir noutros estados.

Uma tomada de posse republicana - com ou sem Trump - poderia perturbar a política firmemente alinhada do Ocidente em relação à Ucrânia, uma vez que algumas alas do partido apelam à restrição da ajuda militar e financeira a Kiev, ao contrário do atual governo democrata de Joe Biden.

Trump na Casa Branca poderá, também, significar um regresso às disputas comerciais. A anterior administração de Trump aplicou tarifas generalizadas aos aliados europeus, numa tentativa de proteger os produtores norte-americanos. EUA e UE chegaram, e, 2021, a uma trégua temporária, mas Trump prometeu introduzir uma tarifa de 10% sobre todas as importações estrangeiras se for eleito.

Uma mudança na administração poderia ter, ainda, impacto nas conversações em curso para permitir que a UE exporte minerais essenciais utilizados no fabrico de baterias elétricas para os EUA sem ser sujeita a tarifas ao abrigo da Lei de Redução da Inflação.

Republican frontrunner Donald Trump
Republican frontrunner Donald TrumpCharlie Neibergall/Copyright 2023 The AP. All rights reserved

2. Eleições europeias - 6a 9 de junho

Em junho, os eleitores dos 27 países membros da UE escolherão quem os representa no Parlamento Europeu, a única instituição democraticamente eleita do bloco.

Um gigante em termos de número de eleitores, as eleições têm sido afetadas, nos últimos anos, por uma fraca afluência às urnas e pelo desinteresse dos eleitores que consideram que a UE está demasiado afastada da sua vida quotidiana.

As projeções de um aumento do apoio aos partidos eurocéticos e de extrema-direita - impulsionado pelos recentes sucessos eleitorais nos Países Baixos, Itália, Finlândia e Suécia - estão a semear dúvidas sobre o futuro caminho da UE.

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As últimas sondagens colocam a bancada de extrema-direita no Parlamento Europeu, Identidade e Democracia, num recorde de 87 lugares, no hemiciclo de 720 membros, o que significa que poderá competir com os Liberais para se tornar o terceiro maior partido do Parlamento.

Isto poderia colocar a extrema-direita num papel de grande decisor e de desempate entre os dois principais grupos - o centro-direita (conservadores e social-democratas) e o centro-esquerda (socialistas) - que têm cooperado para assegurar o funcionamento das instituições da UE numa "grande coligação".

A recessão económica nas principais economias da UE, o descontentamento crescente nas zonas rurais, as alterações climáticas e a migração são questões que vão marcar a campanha.

As eleições decidirão, igualmente, quem liderará a próxima Comissão Europeia, prevendo-se que a atual presidente, Ursula von der Leyen, se recandidate e desencadeie uma importante remodelação dos cargos de topo da UE.

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A torn campaign poster of the French far-right National Rally party during the 2019 European election campaign
A torn campaign poster of the French far-right National Rally party during the 2019 European election campaignFrancois Mori/Copyright 2018 The AP. All rights reserved.

3. Eleições legislativas em Portugal - 10 de março

As eleições legislativas foram convocadas pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em novembro, depois de o primeiro-ministro socialista António Costa, se ter demitido - mas manteve-se no cargo como interino - no âmbito de umo processo de corrupção no governo.

O Partido Socialista (PS) espera que o seu novo líder, Pedro Nuno Santos, consiga manter o país como um bastião da esquerda europeia nos últimos anos.

As sondagens sugerem uma corrida apertada ehntre PS e o Partido Social Democrata (centro-direita), atualmente empatados nas sondagens, com cerca de 27% dos votos.

Mas este bastião da esquerda poderá ser o último país europeu a assistir a uma vaga de extrema-direita, através do populista Chega, que pretende perturbar o tradicional sistema bipartidário, e que está logo atrás dos dois principais partidos, com 17%.

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O Chega tem sido criticado por "envenenar" o debate nacional com uma retórica racista, anti-LGBTQ+, anti-imigração e anti-cigana.

Pedro Nuno Santos has been elected to lead the Socialist Party in the March snap election
Pedro Nuno Santos has been elected to lead the Socialist Party in the March snap electionArmando Franca/Copyright 2023 The AP. All rights reserved

4. Eleições federais na Bélgica - 9 de junho

A Bélgica vai realizar um duplo ato eleitoral, com as eleições europeias e federais a terem lugar no mesmo dia, 9 d ejunho. O país de 11,6 milhões de habitantes é conhecido pela sua política fraturada e pelos complexos acordos de partilha do poder, com nada menos do que sete partidos no seu atual governo de coligação.

As sondagens traçam um quadro bastante familiar, com os independentistas flamengos de extrema-direita. do partido Vlaams Belang, a liderarem na Flandres, o Partido Socialista a liderar na Valónia e os liberais na região de Bruxelas-Capital.

Com a atual coligação de sete partidos a caminho de reunir apoio suficiente para renovar o mandato, o primeiro-ministro, Alexander de Croo, vai querer usar a presidência semestral do Conselho da UE, que começa em janeiro, para marcar pontos políticos a nível interno.

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Mas o próprio partido liberal-conservador flamengo de De Croo regista mínimos históricos no seu território, a Flandres. A sua posiçãosobre o conflito de Gaza e a crise governamental que se seguiu ao recente ataque terrorista em Bruxelas levaram a uma deflação no apoio.

Belgian prime minister Alexander De Croo's Open Flemish Liberals and Democrats party is polling at a historic low
Belgian prime minister Alexander De Croo's Open Flemish Liberals and Democrats party is polling at a historic lowVirginia Mayo/Copyright 2020 The AP. All rights reserved

5. Eleições legislativas na Áustria - esperadas para o outono

As eleições austríacas poderão vir a ser uma das mais críticas, numa altura em que a Europa se esforça por conter a vaga de extrema-direita.

O Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), de extrema-direita, está atualmente a obter  impressionantes 30% dos votos. O apoio tem subido de forma constante após a sua queda em desgraça, na sequência do escândalo de Ibiza**,** de 2019, quando o então vice-chanceler e líder do FPÖ, Heinz-Christian Strache, foi filmado a obter favores políticos de contactos comerciais russos.

As políticas anti-confinamento do partido durante a pandemia de Covid-19, as críticas às repercussões económicas das sanções da UE contra a Rússia e as políticas populistas permitiram-lhe recuperar a confiança dos eleitores de direita. Também capitalizou as lutas internas entre os partidos centristas para consolidar o seu apoio.

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Se a dinâmica se mantiver, é possível que o próximo chanceler austríaco venha das fileiras do FPÖ.

Chairman of the Austrian Freedom Party Herbert Kickl
Chairman of the Austrian Freedom Party Herbert KicklALEX HALADA/AFP or licensors

Outras eleições a que devemos estar atentos

A Finlândia elegerá o seu novo presidente em janeiro. 

Eleições parlamentares realizar-se-ão na Lituânia, a 12 de maio, e na Croácia a 22 de setembro.

As eleições presidenciais na Ucrânia deverão ter lugar na primavera, mas a lei proíbe a realização de eleições durante a lei marcial. O Presidente Volodymyr Zelenskyy afirmou  que a realização de eleições em tempo de guerra seria "totalmente irresponsável".

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Os russos vão eleger o seu próximo presidente, a 17 de março. Mas com os meios de comunicação independentes sufocados e os críticos presos ou no exílio, o caminho está livre para que Vladimir Putin renove o mandato.

Estão previstas eleições no Irão, a 1 de março, e na Bielorrússia, a 25 de fevereiro.

Na Indonésia, as eleições gerais realizar-se-ão a 14 de fevereiro e na Índia entre abril e maio. A votação na Indonésia deverá ser a maior eleição de sempre num único dia, com mais de 200 milhões de eleitores elegíveis.

EmTaiwan, as eleições presidenciais realizar-se-ão a 13 de janeiro.

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O ReinoUnido realizará eleições gerais antes do final de 2024, confirmou o primeiro-Ministro Rishi Sunak, no início desta semana.

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