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Ajuda humanitária "no limite", diz agência da ONU para refugiados palestinianos

Palestinos fazem fila para receber comida de graça em Rafah, Faixa de Gaza
Palestinos fazem fila para receber comida de graça em Rafah, Faixa de Gaza Direitos de autor Fatima Shbair/Copyright 2024 The AP. All rights reserved.
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De  Isabel Marques da Silva com AP
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É quase impossível prestar qualquer ajuda humanitária em Gaza, na sequência da ofensiva israelita na cidade de Rafah, no sul do território, onde cerca de 1,5 milhões de pessoas procuravam segurança. A diretora para a Europa da Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos pede ajuda urgente.

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A Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA) classifica as “zonas seguras” designadas por Israel como “terra de ninguém”. A diretora da agência para a Europa, Marta Lorenzo, disse à euronews que teme pelas 800 mil pessoas que estão novamente em movimento em busca de segurança, que partiram de Rafah devido à incrusão militar.

“Al-Mawasi, por exemplo, é uma zona muito arenosa. Não tem infra-estruturas, não tem água nem saneamento e por isso é extremamente difícil para as pessoas acederem às suas necessidades mais básicas”, explicou Marta Lorenzo, que chegou a Bruxelas há menos de um ano, depois de mais de duas décadas no Médio Oriente.

"Quando as pessoas deixam seus abrigos, também temos que deslocar as equipas e nem sempre se consegue movimentar mantimentos ou equipamentos para poder prestar cuidados de saúde primários às pessoas", explicou, em termos das dificuldades logísticas.

A agência costumava gerir 22 centros de saúde primários em Gaza, mas agora tem apenas sete e algumas clínicas móveis.

A assistência complementar através de lançamentos aéreos ou do corredor marítimo é bem-vinda, mas não pode substituir a assistência normal dque chega via passagens terrestres.
Marta Lorenzo
Diretora da UNRWA para a Europa

Os camiões que transportam alimentação, material médico e outras ajudas essenciais são cada vez mais escassos.

“O que precisamos é que as travessias terrestres sejam abertas. A assistência complementar através de lançamentos aéreos ou do corredor marítimo é bem-vinda, mas não pode substituir a assistência normal dque chega via passagens terrestres", referiu Marta Lorenzo.

No cerne do problema estão as duas principais passagens através das quais cerca de 300 camiões de ajuda, por dia, chegavam a Gaza antes do início da ofensiva.

As tropas israelita tomaram o controlo da passagem de Rafah para o Egito, há duas semanas, que está inoperante desde então. 

A passagem próxima de Kerem Shalom, entre Israel e Gaza, permaneceu aberta e Israel diz que tem enviado centenas de camiões. Mas embora os camiões comerciais tenham atravessado com sucesso, a ONU diz que não pode chegar a Kerem Shalom para recolher ajuda porque é demasiado perigoso circular.

Agência precisa de  1,5 mil milhões de euros

As necessidades de financiamento da agência para Gaza, este ano, ascendem a cerca de mil milhões de euros. A UNRWA esteve presente na 8ª Conferência de Bruxelas sobre Apoio ao Futuro da Síria e da Região, segunda-feira, onde pediu aos doadores cerca de 400 milhões de euros para ajudar quase meio milhão de refugiados palestinianos que vivem na Síria e noutros países vizinhos.

"Apesar de já terem passado 14 anos desde o início dessa guerra, isso não significa que as coisas estejam melhores para as pessoas na Síria. Deixe-me referir rapidamente um exemplo, porque estive na Síria a visitar as nossas escolas e os professores disseram-me que nossos alunos desmaiam nas salas de aula porque chegam à escola sem terem comido", disse a diretora.

Os doadores internacionais anunciaram, na segunda-feira, que irão comprometer 7,5 mil milhões de euros em subvenções e empréstimos para apoiar os sírios atingidos pela guerra, pela pobreza e pela fome.

A UNRWA perdeu importante apoio financeiro na sequência de acusações israelitas de que 12 dos seus 13 mil trabalhadores estavam a ajudar o movimento Hamas. Investigadores da ONU disseram, em abril, que mais alguns nomes foram adicionados à investigação, contemplando 14 funcionários da UNRWA.

Enquanto se aguarda pela investigação interna da ONU, alguns países retomaram o financiamento, incluindo a UE. A Itália anunciou, sábado, que retomará o financiamento, transferindo cinco milhões de euros. 

A Alemanha disse, no mês passado, que iria retomar a cooperação com a UNRWA na sequência de um relatório, liderado pela ex-ministra francesa dos Negócios Estrangeiros, Catherine Colonna, sobre os procedimentos da UNRWA para garantir a adesão aos princípios de neutralidade.

Colonna disse que Israel nunca havia expressado preocupação sobre alegado envolvimento dos funcionários da agência em movimentos políticos, tendo recebido listas com os nomes desde 2011.

No entanto, o dinheiro poderá acabar em junho, uma vez que os EUA, que forneciam mais de 80% destes fundos, ainda não levantaram a suspensão.

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