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Resultado do referendo na Tunísia é esperado esta terça-feira

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De  Euronews
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Manifestação da oposição na Tunísia
Manifestação da oposição na Tunísia   -   Direitos de autor  FETHI BELAID/AFP or licensors

Os tunisinos votaram esta segunda-feira num referendo constitucional que é visto como um plebiscito ao próprio presidente, Kais Saied.

A taxa de participação é a principal incógnita no escrutínio, cujo resultado oficial se espera esta terça-feira.

De acordo com a agência francesa, AFP, a afluência às urnas foi superior à esperada, tendo aumentado particularmente ao final da tarde.

A oposição, principalmente o partido muçulmano Ennahdha, pediu o boicote ao referendo.

Se aprovada pelos eleitores, a nova carta constitucional substitui a que foi aprovada em 2014, na sequência da revolução que derrubou o ditador Ben Ali e iniciou, na região, o movimento que ficou conhecido como a Pimavera Árabe.

O escrutínio surge um ano após o presidente ter demitido o governo e suspendido o parlamento em plena crise da pandemia da covid-19.

O novo texto dará ao chefe de Estado o comando supremo do exército, o pleno controlo executivo e permite-lhe nomear um governo sem a aprovação do parlamento.

Cerca de 9,3 milhões de eleitores - civis com mais de 18 anos - optaram ou foram automaticamente registadas para votar, de acordo com a comissão eleitoral ISIE.

Há ainda 356.000 pessoas registadas no estrangeiro, para as quais as votações começaram no sábado.

Muitos tunisinos saudaram as ações do presidente contra os partidos políticos e o parlamento frequentemente bloqueado, parte de um sistema há muito elogiado como a única democracia a ter emergido das revoltas árabes de 2011.

Os seus apoiantes culpam o sistema parlamentar híbrido que introduziu, e o partido Ennahdha, dominante de influência islamista, por anos de crises políticas e corrupção generalizada.

A tensão na sociedade Tunísia é muito forte, com manifestações nas ruas.

A comunidade internacional teme que o país volte à ditadura.

Kais Saied, um professor de Direito, que chegou ao poder com 64 anos, obteve uma vitória esmagadora nas eleições presidenciais de 2019, construindo sobre a sua imagem de incorruptível e afastado da elite política.

Apareceu cada vez mais isolado nos últimos meses, limitando os seus comentários públicos aos vídeos oficiais do seu gabinete - muitas vezes diatribes contra inimigos domésticos que ele marca como "cobras", "germes" e "traidores".

Jurou proteger as liberdades dos tunisinos e descreve o seu projeto político como uma "correção" e um regresso ao caminho da revolução.

Segundo o analista político, Hamadi Redissi, "Muitos jovens, os marginalizados e excluídos, estão do seu lado".

Essa popularidade continuará a ser testada nos próximos meses, uma vez que os tunisinos enfrentam uma inflação crescente, um desemprego juvenil de 40 por cento e um acordo iminente com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que os observadores consideram que poderia levar a mais sofrimento económico.