EventsEventosPodcasts
Loader
Encontra-nos
PUBLICIDADE

Europa das Nações Soberanas é novo grupo de extrema-direita no Parlamento Europeu

O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) é suspeito de extremismo.
O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) é suspeito de extremismo. Direitos de autor Christoph Reichwein/(c) Copyright 2024, dpa (www.dpa.de). Alle Rechte vorbehalten
Direitos de autor Christoph Reichwein/(c) Copyright 2024, dpa (www.dpa.de). Alle Rechte vorbehalten
De  Jorge LiboreiroVincenzo Genovese
Publicado a Últimas notícias
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied
Artigo publicado originalmente em inglês

O Europa das Nações Soberanas, criado quarta-feira, é o terceiro grupo no Parlamento Europeu a agregar eleitos por partidos de extrema-direita nos países da UE, tendo como principal força política na bancada os eurodeputados do Alternativa para a Alemanha.

PUBLICIDADE

O "Europa das Nações Soberanas" (ESN) reúne eleitos por partidos que até hoje não tinham filiação política nas várias bancadas do Parlamento Europeu devido ao carácter radical das suas ideias.

O grupo engloba 28 eurodeputados, nacionais de nove Estados-membros, critérios que permitem estabelecer uma bancada (pelo menos 23 eurodeputados de sete Estados-membros) e evitar a categoria de não-inscritos, que reduz muito a relevância e o tempo de intervenção dos legisladores.

A sua composição e nome foram anunciados, quarta-feira, após uma reunião constitutiva em Bruxelas e é a terceira força de extrema-direita no Parlamento Europeu. A notícia surge dois dias depois da criação do Patriotas pela Europa, que foi uma iniciativa do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, para agregar forças ultraconservadoras e nacionalistas e visto como um rival da bancada de extrema-direita Conservadores e Reformistas Europeus.

Apesar da sua natureza variada, os oito partidos do ESN estão unidos pela oposição ao Pacto de Migração e Asilo, ao Pacto Ecológico Europeu, aos valores do progressismo social e à assistência militar à Ucrânia, o que os coloca em rota de colisão com a corrente dominante.

Além disso, todos contestam o projeto de integração europeia, segundo o qual os países delegam cada vez mais competências políticas em instituições supranacionais da União. Daí a proeminência do termo "soberania" no título.

A bancada é composta por:

  • Alternativa para a Alemanha (AfD): 14 eurodeputados da Alemanha
  • Confederação: 3 eurodeputados da Polónia
  • Revival: 3 eurodeputados da Bulgária
  • Reconquête: 1 eurodeputado de França
  • Republika: 1 eurodeputado da Eslováquia
  • Liberdade e Democracia Direta (SPD): 1 eurodeputado da Chéquia
  • Movimento Nossa Pátria: 1 eurodeputado da Hungria
  • União do Povo e da Justiça: 1 eurodeputado da Lituânia
Escolhemos este caminho não porque seja fácil, mas porque é necessário para concretizar a nossa visão comum de uma Europa das Pátrias forte, unida e virada para o futuro.
René Aust
Eurodeputado, extrema-direita, Alemanha

Quem é quem no novo grupo?

A principal voz do grupo é a AfD, que tem mais de metade dos lugares, e um dos seus eurodeputados, René Aust, foi nomeado copresidente. Stanisław Tyszka, do Confederação, é o outro copresidente.

"Reunimo-nos porque partilhamos o objetivo de ter um impacto significativo no futuro político da Europa através de uma ação decisiva e de um planeamento estratégico. Este objetivo só pode ser alcançado coletivamente, como o demonstra a história europeia. A influência foi sempre exercida por aqueles que tiveram a coragem de se organizar e de atuar estrategicamente", afirmou Aust.

"Escolhemos este caminho não porque seja fácil, mas porque é necessário para concretizar a nossa visão comum de uma Europa das Pátrias forte, unida e virada para o futuro", acrescentou.

O AfD é um dos partidos de extrema-direita mais conhecidos da Europa e tem sido acusado de promover crenças etnonacionalistas, espalhar a islamofobia, praticar o revisionismo histórico e negar a existência de alterações climáticas provocadas pelo homem.

No início deste ano, a organização de jornalismo de investigação Correctiv revelou que funcionários do AfD tinham participado numa reunião em que se discutiam planos de "remigração" para expulsar do país requerentes de asilo, residentes estrangeiros e cidadãos alemães "não filiados". A reportagem causou enorme indignação e provocou semanas de protestos em massa.

Em maio, um tribunal alemão classificou o AfD como oficialmente suspeito de extremismo, permitindo que os serviços secretos monitorizassem as suas atividades e comunicações.

No final desse mês, o AfD foi expulsoda bancada Identidade e Democracia (ID) no Parlamento Europeu (esse grupo foi agora dissolvido). Em causa esteve o facto do eurodeputado Maximillian Krah (líder do AfD), ter dito a um jornal italiano que nem toda a gente que usava um uniforme das SS era um criminoso de guerra nazi.

O escritório de Krah foi alvo de de buscas policiaisquando um dos seus assistentes foi detido sob a acusação de espionagem para os serviços secretos chineses.

O estatuto de não-inscrito da AfD ao longo das últimas semanas alimentou a especulação sobre a criação de um possível novo grupo e até surgiu o nome "Os Soberanistas".

PUBLICIDADE

A Confederação é uma coligação polaca firmemente anti-LGBTQ, anti-feminista e anti-aborto. No entanto, apenas três dos seis eurodeputados da Confederação aderiram ao novo grupo.

A eurodeputada Anna Bryłka disse que não queria aderir devido à "atitude" do grupo em relação aos gasodutos Nord Stream que ligam a Europa à Rússia, aos quais a Polónia se opõe fortemente.

"Ao mesmo tempo, declaro a minha cooperação com todas as forças europeias que querem travar a federalização crescente, a imigração em massa e descontrolada e o Pacto Ecológico Europeu", disse Bryłka nas redes sociais, explicando a sua decisão.

A Europa das Nações Soberanas engloba também o Revival da Bulgária, o Movimento Nossa Pátria (MHM) da Hungria, o Liberdade e Democracia Direta (SPD) da Chéquia, o Reconquête! de França e o Republika da Eslováquia, todos defensores do ultranacionalismo, do ultraconservadorismo e que abraçam temas nativistas e xenófobos.

PUBLICIDADE

Em alguns casos, como o Revival, o Our Homeland Movement e o Republika (nos nomes originais), os partidos foram associados ao movimento anti-vacinação. Uma posição amigável em relação à Rússia é outro tema recorrente entre os membros do ESN.

Em suma, o grupo pode ser facilmente considerado a formação mais radical do Parlamento Europeu e será imediatamente colocado sob um cordão sanitário pelas forças dominantes e moderadas, privando-o de posições de alto nível na instituição.

O controverso partido SOS Roménia, que parecia ser um candidato adequado, foi rejeitado devido a preocupações levantadas por algumas delegações, incluindo o AfD e o Movimento Nossa Pátria. Entre outras coisas, o SOS Roménia quer redesenhar o mapa da Europa de Leste para restabelecer a "Grande Roménia", o reino do período entre guerras.

Outra omissão notável é a do partido espanhol Se Acabó La Fiesta, que se autoproclama anti-sistema e é liderado pelo influenciador das redes sociais Luis "Alvise" Pérez. Apesar da possível adesão ser mencionada na imprensa nos últimos dias, ficou de fora desta bancada.

PUBLICIDADE
Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Liga de Salvini abandona grupo de Meloni no Parlamento Europeu. Há riscos para o governo italiano?

Grupo nacionalista "Patriotas pela Europa" torna-se a terceira força no Parlamento Europeu

Expansão da direita radical nos governos europeus poderá moldar decisões na União