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Radicais nas fileiras da contestação às restrições da pandemia na Alemanha

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De  Jona Källgren
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Radicais nas fileiras da contestação às restrições da pandemia na Alemanha
Direitos de autor  atrick Pleul/dpa via AP

Milhares de alemães voltaram a sair à rua para protestar contra as restrições impostas pelo governo por causa da pandemia. A Euronews acompanhou uma das marchas em Bautzen, uma pequena cidade localizada na antiga Alemanha de leste.

Os protestos têm-se repetido todas as segunda-feiras. Um dia extremamente simbólico para os alemães - as manifestações contra o regime comunista da Alemanha de Leste, antes da queda do muro, em 1989, também tiveram lugar às segundas-feiras.

As fileiras do protesto acolhem cada vez mais extremistas. É o caso do movimento radical contra as restrições que reúne sobretudo elementos da extrema direita e hooligans.

Swen Hutter, professor de Sociologia Política na Universidade Livre de Berlim, considera que "o perigo vem da radicalização dentro do movimento" e dos cada vez maiores "apelos à violência contra os titulares de cargos, contra os jornalistas e contra outros representantes das chamadas opiniões dominantes". "Aí podemos ver um perigo," avisa.

Radicais mais organizados e visíveis

As bolsas de protesto radical são ainda localizadas. Estão no entanto a crescer. Tal como as manifestações totalmente pacíficas contra as políticas de controlo da pandemia.

"Podemos agora falar de um verdadeiro movimento de protesto na Alemanha, porque durante algum tempo tivemos várias ondas de mobilização. É também um movimento que se está a tornar mais estruturado e organizado," diz Swen Hutter.

Apesar da organização constatada pelos analistas, as sondagens revelam que apenas 15 por cento da população alemã apoia os protestos. Há no entanto a consciência de que pequenos grupos podem criar grandes problemas.

Confrontado com a marcha noturna, o presidente da Câmara de Bautzen diz respeitar a divergência de opiniões, mas assume ter pouca simpatia pelos extremistas que se apoiam num discurso de ódio e violência.

"Pode-se ser contra as regras do coronavírus. E pode acontecer que se acabe inadvertidamente numa manifestação onde se encontram 100 ou 150 neonazis. Mas quando isso acontece uma ou duas vezes, então é preciso pensar: "será que quero mesmo estar na rua com os nazis? Será que quero fazer uma manifestação com nazis? Digo muito claramente, isso não está bem, isso não está em conformidade," diz Alexander Ahrens.